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terça-feira, novembro 09, 2010

Voltamos!

Nota da redação
Foi um pandemônio!


A reforma do Mulherices, como todos puderam acompanhar pela narração em tempo  real via Twitter foi ligeiramente demorada e um pouco confusa. Tendo tomado para si a responsabilidade de coordenar os trabalhos, a intrépida @karilima quase enfartava a cada vez que via a estagiária @lilianbuzzetto, ao invés de colaborar, discutindo futebol com os pedreiros ou organizando animados campeonatos de dominó com os pintores. Dona Stella Benevides, pouco afeita a assuntos relacionados à arquitetura e decoração, só se preocupava em saber onde o bar seria instalado. Mas confusão mesmo se deu quando a @vanessa_pinho veio de Floripa para ver o resultado, não gostou das cores das paredes e deu piti, batendo os pezinhos e tudo mais. Enquanto isso, desolado, o @o_colecionador, sem ter em quem mandar, passava os dias resmungando e fumando do lado de fora, certo de que, em vida passada, grudara chiclete debaixo da mesa da Santa Ceia.

Mas, finalmente, a reforma acabou!
Orgulhosamente, apresentamos a vocês o novo Mulherices 2011!

Mas agora, falando sério.

A reforma do Mulherices, com a implantação de um novo layout e uma divisão mais moderna e funcional era um desejo antigo. Cremos que a divisão dos textos das cronistas em abas deixará tudo mais organizado, e os conteúdos se tornarão mais acessíveis.


Além disso, inauguramos duas sessões.


Em Eventos, vamos promover ações especiais com a participação dos leitores e seguidores do Twitter, como sorteios e concursos. A experiência com o 1º Concurso de Textos Inéditos nos mostrou o quanto as pessoas apreciam poder participar do que fazemos e nos motivou a pensar em outras ações do gênero. Nessa sessão também vamos reportar, comentar e palpitar sobre cinema, teatro, shows, restaurantes, inaugurações ou ... sabe-se lá mais o que. Alô, senhores promoters: convidem-nos, nós vamos circular e contamos tudo aqui!

E, atendendo a pedidos, convencemos Dona Stella Benevides a responder perguntas dos leitores na sessão Pergunte à Stella. Desde o inesquecível texto “O Amor segundo Stella” (ou até antes disso), mesmo não havendo um espaço no site para isso, Stellinha recebe regularmente e-mails de leitores e leitoras com perguntas sobre os mais diversos e absurdos temas. Se você também sempre quis perguntar coisas à ela, agora pode: basta escrever para pergunteastella@gmail.com. Não garantimos quando ela irá responder. Nem mesmo garantimos se ela o fará. As condições dela foram claras: só responde o que quiser e quando quiser. Mas arrisque: quem sabe Dona Stella, com aquela sua inconfundível doçura, não esclarece aquela sua dúvida antiga?

A reforma do Mulherices é nossa resposta – e também nosso agradecimento – aos quase 30 mil acessos ao blog em pouco mais de um ano de vida, aos inúmeros comentários, às incontáveis menções e também às várias polêmicas geradas a cada nova postagem. Notamos que chegou a hora de sair da fase do amadorismo e de dar a este nosso espaço, que começou como um singelo e despretensioso blog, uma cara e uma pegada mais profissionais.

Continuamos contando com todos que nos acompanharam e prestigiaram até aqui, e esperamos conquistar ainda muitos mais!

Então é isso, chega de blablabá.
A casa é de vocês: sejam todos muito bem vindos ao novo Mulherices!

segunda-feira, julho 26, 2010

365 dias

Por Karina Lima
Era uma vez, em um reino muito distante, um cavaleiro audaz e muito intrépido, chamado Lórde @o_colecionador [há quem diga que no documento de identidade ele atendia pela alcunha de Fabio Pegrucci, mas há zil controvérsias a esse respeito].
O Lórde @o_colecionador era figura aclamada e notória em todo o majestoso reino de Twitterland. Ele cutucava todo tipo de onça real com varas curtas, proferia comentários mais azedos que limão, desafiava as autoridades dos reinos vizinhos, e fumava mais que uma chaminé workaholic – e com orgulho, muito orgulho. Durante as madrugadas, na solidão da torre em que vivia, ele escrevia para toda a população da região -- arrobos e arrobas de todas as idades e localidades, uma platéia de pelo menos 2.000 expectadores.

Um belo dia, em meio às conexões de bits e bytes diariamente feitas por essa figura real, o Lórde @o_colecionador teve a brilhante idéia de apresentar duas arrobas serelepes e fagueiras: @karilima e @vanessapinho, alegando que ambas possuíam traços comuns, e argumentando que elas fariam uma bela dupla escrevendo em um blog, onda moderninha que invadia as fronteiras do reino – pela boa indicação e por idealizar os primórdios dessa história, nós o promovemos a Editor da nossa trupe... e foi aí que surgiu o Mulherices! No calendário, a folhinha marcava o nobre dia 29 de Julho de 2009, data em que o texto ‘Nossas Preliminares: sejam bem-vindos!’ foi postado, falando sobre o propósito do tal do blog. Há quase um ano, vejam vocês...

Sem pestanejar, @karilima acreditou nas palavras do @o_colecionador, já que a farofada...oops, a estrogonófica população do reino quase o tinha como um oráculo, e o ouvia com grande atenção. A @vanessapinho, Princesa do Condado de Florianópolis, tornou-se num piscar de olhos uma grande amiga de @karilima: de excelente astral, ela era a comédia em forma de pessoa, viva, empolgada, saltitante. Ela detinha o costume de escrever crônicas sobre assuntos bem cotidianos, mas com um discurso especialíssimo: parecia mesmo uma conversa sincera, despretensiosa. Relacionamentos, filhos, visões, música... o que ela escrevia, virava hit: todo mundo se identificava e se via nessas tramas.

As mulheres do Mulherices já eram bem felizes, mas não contavam com um evento que mudaria em definitivo o rumo de suas histórias: a ‘chapa ficou quente’ quando a @karilima conheceu Stella Benevides, uma polêmica ambulante viciada em gatos, cigarros e whiskey – aliás, a trama desse memorável evento está publicada no texto ‘Prazer, Stella Benevides’. Vocês se lembram?

Com muito mais idade, escracho e experiência, a Rainha Stellinha tem encabeçado excelentes discussões e comentários com as postagens que escreve. Um texto dela sobre Elis Regina, por exemplo, rendeu comentários elogiosos até da Maria Rita! [Psiu, o texto é ‘Elis’]. Com Stella, o buraco é [muito] mais embaixo: os temas são políticos, de questionamento, de contraponto. Ela não está aqui pra agradar, sabe como é... estranheza chegou e parou: ela escreve com uma máquina de datilografar, ingere doses cavalares de álcool, não está nem aí pra modernidade. Balaio de gato? Pois é...

Em Abril desse ano, outra trombeta do apocalipse soou: a afável donzela @lilianbuzzetto chegou para assegurar que a desordem seria status freqüente no Mulherices. Por princípios fraternos, ela tem um [gigante] excedente de doideira, e o partilha com quem quiser, sem miguelagens. Assim como a Stella, ela não escreve sobre flores: não simpatiza com crianças, é aficionada por esportes, cola figurinhas em álbum da Copa e cultiva um mal humor congênito que, curiosamente, traz a todo mundo pra ainda mais perto dela – sabem um lance assim, meio mulher de malandro? A gente fica assim com a @lilianbuzzetto.

Em suma, somos desse jeito: nada a ver umas com as outras. E era exatamente o que buscávamos... que as diferenças enriquecessem [e quiçá tumultuassem] o contexto e a produção. De lá pra cá, cronistas de parafusos razoavelmente soltos escrevem sobre verdades inescapáveis, discussões sobre atualidades, pseudo-filosofia, assuntos mulherzinha, insights, mazelas, confidências: no nosso caldeirão, todo ingrediente literário é aceito de bom grado.

Nossas temáticas são aleatórias, de escolha livre das cronistas. Essa semana, eu falo sobre macarrão, semana que vem Lilian pode falar sobre Revolução Industrial, na outra a Vanessa pode abordar uma cena cotidiana, aquela que já envolveu você, um conhecido, uma conversa e um sorvete de casquinha. Bem por aí – o que costuma surpreender é exatamente isso: nunca se sabe o que está por vir nessas bandas!

Blogar talvez seja o melhor verbo para conjugar nesse balaio: para cada postagem que vai ao
ar, nos reunimos virtualmente para escolher fotos, tecer comentários, manejar o Twitter, definir divulgação, tumultuar, rir, discutir... dá pra imaginar o pandemônio que isso causa? O processo criativo do Mulherices para a publicação das pautas é a parte mais divertida nesse projeto tocado a várias mãos, prestes a completar 01 ano de vida, nosso motivo de muitíssimo orgulho, sim senhor. De olho na Matemática: são mais de 600 seguidores, 4000 acessos ao mês, inúmeras menções dos leitores e, o principal: um mundo de novos laços graças ao que teclamos, semanalmente. É pra ficar bem feliz, assim como já estamos. A vocês, nossa gratidão: vida longa, indeterminada e próspera ao Mulherices, já que seria demasiado clichê desejar o caminho para o ‘felizes para sempre’!

Você sabia?
  • Nesse período, homenageamos três grandes mulheres: Greta Garbo, Elis Regina e Zuzu Angel;
  • A crônica mais ‘barulhenta’ foi ‘Homem que é Homem’, da Lilian Buzzetto: um enxame de 50 comentários em míseras 24 horas;
  • Nosso texto mais comentado e famoso foi ‘Zuzu’, de Stella Benevides, com 99 menções -- o recente texto 'Elizas...', da Lilian, se aproxima muito dessa marca, com 96 comentários;
  • À exceção de @karilima e Stellinha, ninguém no Mulherices se conhece pessoalmente – é, um espanto, no mínimo;
  • Os acessos ao blog cresceram 100% no último semestre... e quase 400% em 01 ano!





sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Greta quer ser sozinha

Por Karina Lima

O metrô paulista pode ser uma experiência infernal, dos diabos. Nele, nesses dias de calor, eu me sinto feito uma peça de quebra-cabeça devidamente encaixada, sem nem um mísero milímetro pra me mover pra onde quer que eu ameace, e amarrada a quatro odiosas peças-vizinhas. Contatos físicos indesejados, impaciência, calorão... e eis que de repente, como num milagre, chego à estação e salto do vagão assim, como quem vai redescobrir a América: não creio, estou livre!

[Sempre faço dramalhão. É.]
A maratona da escadaria rolante vai começar, mas antes me juntar à multidão afoita para subir os degraus me deparo com um obstáculo irresistível: uma banca de livros. Vários, muitos deles, baratos, com aquele cheiro que adoro, bem ao alcance das mãos. Não deu outra: fiz a melhor aquisição da semana, e ainda estou em processo de degustação dela, aliás. Uma biografia – sim! De quem? Greta Garbo. Confesso que dela, eu só recordava de um trecho de música na qual Gwyneth Palltrow cantarolava: “She’s got Greta Garbo's standard size/ She's got Bette Davis eyes!” Nada familiar, mesmo... mas segui pro test drive literário – sorte grande persistir.

Num momento ‘oásis metroviário’, vi que a grande mulher da capa atendia pelo nome de Greta Lovisa Gustafsson – sueca de nascença, de 1905, atriz consagrada e conhecida como "A Divina". Divina, pra mim, é nome de vizinha fofoqueira, mas logo saquei que a coisa era bem mais ‘celestial’. Vanguardista no cinema e em seu tempo, Miss Garbo era de dar raiva: rosto irretocável, fotogenia incrível, aquele ar blasé todo. Órfã de pai, ela deixou a escola para trabalhar bem cedo. Quando foi descoberta por olheiros, ascendeu rapidamente no cinema, que ainda era mudo, arrematou prêmios, brilhou.

[Comprei o tal do livro, lógico.]

Sabem aquela patacoada que nós repetimos nos nossos acessos de mulherice? “Eu sou puro mistério, eu sou enigmática, complexa, nasci sem manual”... tudo herança da maneira Garbo de ser – a mulher era fria, reservadíssima, depressiva... e na mesma medida tinha personalidade marcante, era sofisticada, narcisista, inteligente, espirituosa. Um mito real. Chegada num whisky e numa cigarrilha a ponto de fazer bela dupla com a tia Stella, vejam só.

De paixões doidamente complicadas, ela nunca se casou -- houve quem dissesse que ela era bissexual, até. Procurou, em seus romances, a figura do pai falecido ao lado de homens mais velhos e dominadores. Ela era absoluta, famosa, influente... e ao mesmo tempo queria alguém que tomasse rédea de sua vida, alguém de personalidade ainda mais forte e inequívoca. Por ser tão Greta-vai-com-as-outras, perdeu boas oportunidades de trabalho, e não construiu uma vida afetiva plena: sempre se deixou levar pelo barulho alheio, em todos os sentidos.

[Devoro as páginas - os céus estão caindo em São Paulo!]

Atenção, mulheres alteradas: ela tinha absoluto pavor de fracasso, era aficionada pelo perfeito. Opinião de outros era veneno. Negativa, então... vish! Ela tinha tanto medo do ridículo que saiu de cena muito cedo: nem sua vida corriqueira se manteve sã depois do arrebatador estrelato. Supermercado pra comprar pipoca ou Sazon? Jamais. Deu ‘gentefobia’ nela – contato com outros humanos era coisa rara.

Essa gigante sofria demais com qualquer crítica. Por ser tão arisca e tão ET, Greta afastou de si vários diretores – o que ficou foi um híbrido entre a devoção à diva misteriosa e o escárnio de uma mulher covarde e amedrontada, perdida justamente porque havia chegado lá. Ela ‘pediu pra sair’ no auge da fama... dá pra imaginar? A mulher do momento queria chorar num cantinho, como costuma dizer a nossa querida Vanessa Pinho em momentos de conversa fiada.

[O papagaio de estimação assobia feito um peão de obra: estou em casa]

O peso de ser tão bela, famosa, pop, rica e glam fez com que Greta Garbo perdesse o rebolado [fui chula agora, dou a mão à palmatória]. Guardadas as proporções, abri vagarosamente o portão de casa pensando que dá pra se sentir assim às vezes: com um baita medo do palquinho, ou querendo deixar o chuveiro da vida sempre na estação morna pra não arriscar todas as fichas e tombar de vez, tombar geral.

Mais que tudo, o cair daquela tarde me lembrou que uma infinidade de heróis e de ilustres desconhecidos já sangraram, ou se deixaram apagar quando suas fogueiras incandesceram, de fato. E ali perto, me jogando de corpo todo na poltrona, eu fiquei imaginando o que vou fazer da vida se um dia deixar de ser um simples fósforo e pegar rabeira num fogareiro.







sexta-feira, janeiro 29, 2010

Fica!

Por Vanessa Pinho

Ontem quando estava lá, meio sem paciência pra responder quatrocentas e oitenta vezes o meu nome, e escutar cinco mil vezes “26? Achei que você fosse mais nova” olhei pro lado e vi você. E aí eu comecei com aquela palhaçada toda de não saber o que fazer com as mãos. [Coisas que trago da infância].

Eu ia beber, mas lembrei que não bebo, sou fraca pra bebida e um pouco falante também, o que poderia botar tudo a perder. Acender um cigarro seria legal, eu faria uma cara de “tô nem aí pra você e pro mundo” e ficava pagando de Penélope Cruz, com uma cara blasé de quem está achando tudo um saco. Mas também não fumo. Resolvi bancar eu mesmo. Medo.

Eu estava humildemente linda, num look tipo “moro na Avenida Beiramar Norte, próximo ao shopping” e estava me sentindo aquelas gansas de voz fina que desfilam pelo Iguatemi sábado à tarde, num visual composto por: saia básica, blusa que ganhei da dona da marca e brinco daqueles que agridem logo de chegada, que ganhei apenas pra divulgar a loja também. Ou seja, eu era uma fraude total, mas isso não vem ao caso.

E você me olhava com uma cara de “Eu vim só pra saber se você é legal ou idiota” ou “Eu vim? Haa, nem percebi que eu estava aqui” e eu achava graça, e ficava tentando prestar atenção na música, nas pessoas e no lugar, mas só conseguia perceber você me olhando dos pés a cabeça e pensando “É, até que é legalzinha, nota 6!”
Eu tinha acabado de fazer uma escova progressiva dessas que não alisam muito sabe? Dando um ar de “eu não me preocupo em ser tão lisa, do jeito que estava, eu vim”, tenho amigas lindas que me rejuvenescem a alma, tenho uma família que é tudo, e tinha você ali, na minha frente. O que mais eu poderia querer na vida? Sim, eu queria. Queria saber o que te falar naquela hora e parar de tremer um pouco a perna, se desse.

Eu poderia dizer “Não acredito que te encontrei... Se você soubesse o quanto eu esperei por esse dia. O quanto eu fiquei imaginando as coisas que eu ia te dizer quando te visse e blá blá blá Whiskas Sache” mas eu fiquei imaginando que se alguém me viesse com um papo desses eu ia fazer cara de bonequinho de MSN contente, mas no fundo ia achar brega, bem breguinha, aliás.

E naquela hora eu só conseguia lembrar da cartomante biscatona me dizendo que em 2010 eu iria me apaixonar de verdade. [Elas adoram dizer que a gente vai se apaixonar de verdade].

Lembro que no ano passado ela disse que eu ia fazer uma grande viagem [cartomantes adoram usar palavras como: grande, longa e intensa], mas o mais longe que eu viajei foi até Ilhota, comprar uns biquinizinhos.

Mas com o passar dos minutos você foi fazendo uma cara de “só chegar e levar” e aí comecei a pensar que a cartomante não era tão biscatona assim, e que aquele só poderia ser o meu dia de sorte.

Eu esperei tanto por aquilo que tive a impressão de que as pessoas me olhavam com um ar de “Parabéns magrona, você conseguiu!” E eu fui algumas vezes no banheiro só pra olhar pra minha cara de criança quando passa de ano e se livra da surra em casa. Meio boba, meio muda, um alívio.

Eu já tinha tudo escrito, já sabia como seria, se fosse. Desde quando não sabia nem ler, já tinha essa mania de imaginar a história antes mesmo de ela começar. E naquela noite, a história que ficou guardada durante meses na estante, criando pó, estava ganhando vida.

Era um sentimento sem nome. Uma espera sem motivo. Dias perdidos, que só agora sei que foram perdidos. Mas você nunca vai saber de nada, porque eu não vou te contar. Não vai saber do quanto eu esperei por isso, nem do quanto eu achei o máximo quando você achou o máximo eu ter ficado do seu lado naquela noite.

Não vai saber do quanto eu torrava o saco das minhas amigas com aquele papo todo de você, e nem da esperança que eu tinha de te encontrar naquela noite, mesmo tenho [quase] certeza absoluta que você não iria.

Mas você apareceu e eu não estava preparada pra sua chegada. Porque nunca imaginei que você fosse chegar. Mas você chegou, agora fica!

**Informação inútil: no dia seguinte, o tiozinho que prega quadros na parede todo final de semana às sete da manhã, pela primeira vez, não me irritou nem um pouco.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Algo Sobre as Mulheres do Século 21...

Por Fábio Pegrucci, cronista convidado Amanhece.

O despertador toca e eu pulo da cama, decidida e cheia de vigor. Escova de dentes, escova de cabelo, maquiagem, café, bolsa, rua! Sei muito bem quem sou e para onde vou. Óculos escuros, partida no carro. Sou forte, sou segura, sou bela e sou moderna! Independente e auto-suficiente – eu me basto! Tenho muita coisa na cabeça, muita coisa pra fazer, pouco tempo pra perder.

Nem me lembro de você – às vezes nem sei se você existe mesmo! Não me lembro do seu nome, nem do seu cheiro e nem da sua voz. A propósito, não me ligue, eu não tenho tempo! Tenho que trabalhar, o dia será cheio. Não me amole com seu sentimentalismo e nem me venha falar da sua carência. Eu tenho pressa. Eu tenho objetivo. Eu vou estudar, eu vou crescer, eu vou pra Europa! Dá licença, não me chame, não me interrompa e sobretudo não queira saber aonde estou: eu não estou nem aí pra você!

Telefone, agenda, compromisso, corre-corre. O chefe, o chefe do chefe e o chefe do chefe do chefe, todos me solicitando – e eu sou uma só! Que dia, que dia! Ainda bem que eu sei bem quem sou, o que quero e de nada sinto falta – ainda bem! Pausa para um chá, deixa eu respirar. Deixa eu suspirar... Deixa? Ai...

Ai, que estranho, me deu uma coisa... Uma coisa esquisita, uma saudade não-sei-de-quê! Não deve ser nada, só cansaço, só isso. Que bobagem, vai passar, vai passar... TPM, deve ser TPM ... mas já? Ai, que vontade de chorar! Que coisa estúpida, que besteira é essa? Não sei o que me deu, mas tô com vontade daquelas coisas que só você sabe me dar... Ai, me dá, me dá? Faz daquele jeito que me deixa que nem criança? Ai! Que bom que é! Você pode me abraçar e me mimar?

Eu quero, eu quero!

Quero que você brinque comigo, eu quero ser criança! Me leva na padaria e compra pra mim aqueles docinhos coloridos em forma de bichinho? Compra, compra?? Ai, cuida de mim que eu gosto... Pega um DVD de desenho e assiste comigo comendo pipoca? E se eu pegar no sono, você promete que me pega no colo e me leva pra cama, mesmo que eu não queira ir? Faz lanche pra mim, faz café da manhã? Compra chocolate, pirulito, jujuba? Ai, que delícia que é...

Quando eu estou saindo do banho, você pega uma toalha limpinha e coloca nas minhas costas, me embrulhando! Você nem olha pro meu corpo nessa hora, nem olha! Sabe? Eu nunca te falei, mas eu acho isso uma coisa tão linda... E quando eu estou com um chiclete na boca e não tenho onde cuspir, você coloca a sua mão em forma de concha, bem debaixo do meu queixo!

Ai, que bom que é estar nesse seu mundo! Poder ser menininha, usar camisolinha e pantufas, nada de gloss, de rímel, de scarpin! Poder fazer pirraça, dizer “não, não, não!”, se você quiser alguma coisa e “sim, sim, sim!”, se não quiser – só pra contrariar! Só porque é gostoso – e porque, de uma forma ou de outra, você vai olhar pra mim com aquele seu olhar amoroso e ligeiramente paternal, vai me segurar com aquelas mãos firmes de quem sempre sabe o que fazer, vai me tratar com aquela sua paciência oriental. E eu não preciso pensar em nada, porque você faz isso por mim. Eu aceito, me aninho no seu peito e, por um instante, até penso em te pedir desculpas pelo tanto que te faço sofrer... Mas nem isso eu preciso fazer, porque você já me desculpou antes que eu peça!

Ai, ai, ai ... Que saudade!
Onde está você? Por que não me manda um torpedo engraçado, porque não me escreve um e-mail cheio de palavras doces? Por que não me liga, por que?? Será que não percebe que agora eu fiquei com saudade? Como você pode ser tão insensível???

Ah! Se sacode, mulher! Para já com isso, tanta coisa pra fazer e você aí, viajando na maionese dessa fantasia boba! Não dá certo, não dá – isso não serve! Isso é tudo perda de tempo e o tempo é curto: tenho um relatório pra entregar, tenho que estudar para as provas – ai, as provas! Daqui a pouco tenho que pensar no TCC, ai que pavor!

Ainda bem que eu sou auto-suficiente! Ainda bem que eu não dependo de nada, de ninguém! Ainda bem que eu sou assim equilibrada, centrada, controlada, ainda bem! Minhas vontades eu controlo muito bem, ta? Você que nem ouse invadir meu pensamento com esse seu corpo de homem, com esses brações torneados, com essa barriguinha marcada... Hoje não! Hoje eu não quero! Não vou neeeeem lembrar dessas suas coxas peludas e dessas curvinhas nas suas costas, não vou! Muito menos vou me lembrar dessas suas mãos cheias de dedos me pegando e me apertando, dessa sua boca roçando minha nuca e dessa sua voz me falando aqueles absurdos no ouvido! Não, não e não ... não vou! Pode sumir do meu pensamento com essa sua língua quente e, sobretudo, leve pra bem longe daqui essa sua “coisa” dura porque hoje eu não quero!

Eu vivo muitíssimo bem sem isso, viu? Se digo que não preciso é porque não preciso e, a propósito, minha calcinha não está molhada, é apenas impressão!

Seu maldito!

Quando eu te pegar, vou te mostrar quem é quem! Sou muito mulher pra te jogar na cama e fazer do MEU jeito! Eu SEI fazer! Eu te seduzo, te amoleço, te desarmo e te mato de prazer! Te faço de objeto, uso esse seu corpo pra me satisfazer e pronto! Sexo é sexo e eu sou MULHER o bastante pra não perder o controle!

Eu te controlo! Eu te domino! Eu te escravizo!

Isso, isso, isso ... Isssso!Me bota de quatro, me pega, me segura, de DOMINA, porque é tudo o que eu mais quero!! Faz com força, me possui! Me faz tua fêmea, tua cadelinha! Me bate, me xinga, me humilha, mostra quem é que manda aqui! Porque quem manda aqui é VOCÊ, meu dono, meu rei, meu macho... e eu QUERO assim! Safado, cachorro, filho-da-puta! Eu gosto é ASSIM, e você sabe disso!

Ai, que droooooooga!!!

Olha o relatório, nem comecei! Ai, ai, ai ... Ta bom, passou! Lavo o rosto, mais um chá, um copo dágua!

Chocolate, chocolate, eu preciso de chocolate!! Quem pegou aquela trufa que estava na minha gaveta?? Ih, eu já comi?!

Pronto, pronto! Já passou, já passou!
Tenho que trabalhar. Olha o telefone tocando. Alô, pois não, um minutinho! Cadê minha agenda? A que horas mesmo é a reunião? Ah, que bom, estão reconhecendo meu valor por aqui! Vou me formar, me pós-graduar, que maravilha! Vou pra Europa, vou ganhar muito dinheiro, vou comprar um apartamento, um mooooonte de roupas, de bolsas, sapatos, uhú! Viva eu, viva eu! Não preciso de ninguém! Mas será mesmo que eu comi aquela trufa? No fim de semana ligo pras minhas amigas, vamos sair por aí e falar muita bobagem, principalmente vamos falar mal dos homens, todas elas falam, acho que vou falar também! Ah, que bom, que bom! Depois vai cada uma pra sua casa dormir sozinha e daí? Sou independente, auto-suficiente e super centrada! Sei muito bem o que quero e acho essa história toda de “amor” uma patetice que só atrasa a vida da gente, ta? Eu acho MESMO, ta? Não duvide!

Mas... sabe?
(Ih, quem é essa agora?)
É que de vez em quando ele fala sobre ter um projeto em comum, de ter uma casa com quintal gramado, uma piscina e um cachorro! Eu acho bonitinho às vezes. Só às vezes, mas acho... Será que a gente podia ter uma rede na varanda, pra namorar no fim da tarde? Será que podia ter jardim? Com rosas, será? E a gente podia convidar nossos amigos pra comer pizza e jogar buraco no sábado à noite?? E aí, depois que eles fossem embora, a gente namorava um pouco, dormia junto, abraçado, que gostoso! Assim, esposa, marido... Com aliança no dedo e tudo!

Nossa casa, nossas coisas, tudo nosso!

Um dia a gente teria um bebê! Sim, um bebê. Tanto faz se menino ou menina, tanto faz... Ele quer, não é lindo??? Quer ter um bebê comigo! Geeente! Já pensou, eu GRÁVIDA, quanto esse homem vai me mimar??? Há há há! E ele pede pra eu só IMAGINAR o QUANTO ele vai amar um filho meu... Ai, que lindo... Ai, que vontade de chorar...

Ele gosta de uns nomes “clássicos”, assim tipo “Francisco” e “Beatriz”, “Tomás” e “Clara”... Ah! Eu não gosto, não quero colocar nome de velho no meu filho! Tá vendo, a gente não dá certo, não dá, não tem jeito!!

Ainda bem que eu não to nem aí pra isso! Eu sei MUITO bem o que quero, sou independente, auto-suficiente e suuuuuper equilibrada! Olha o telefone tocando de novo!! Cadê minha agenda? Ih, esqueci a hora da reunião! Eu tenho certeza de que não comi aquela trufa, não comi!
Meu Deeeeus, ainda não são nem onze horas??? Minha analista, eu preciso ligar AGORA pra minha analista!!






Mais de Fábio Pegrucci no blog O Colecionador de Histórias



sexta-feira, novembro 20, 2009

Princesologia Aplicada

Por Karina Lima

A verdade nua, crua, implacável e galopante pode não agradar, mas preciso lhes dizer: Princesas são verdadeiras anti-heroínas. Sim, elas são assim.

[É agora que entra aquela trilha sonora sinistra]

Princesas não fazem, sempre, ares de languidez e mistérios: às vezes, elas não estão entendendo é nada. Estão mais perdidas que cego em tiroteio, quase pedindo ajuda aos universitários, prestes a tomar chá de bússola pra orientar algumas (poucas) idéias trôpegas em meio a uma situação corriqueira qualquer.

As Princesas nem sempre querem se portar como damas. Pelo menos por alguns instantes, em ocasiões escolhidas, elas buscam intensamente despertar suas vacas-mimosas interiores, mandando a recomendável e boa postura pros diabos, acionando a fatia ‘Periguete’ do córtex, de propósito. Aí vale o batom reforçado, o vestido, o balanço sinuoso das cadeiras.

[Vai madrecalcutar e dizer que é tudo mentira? Oká, vá em frente...]

Princesas nem sempre são bonitas pela manhã. Elas acumulam remelas. Quando somadas a restos de lápis de olho então, a situação fica mais crítica ainda. Se a maquiagem não tiver sido retirada na noite anterior... misericórdia! Algumas babam, outras roncam. Outras despejam grunhidos incompreensíveis no cair da noite.

[Alto lá, não me refiro aos ruídos incompreensíveis que vocês pensaram agora!]

Às vezes, Princesas têm vontade de mandar tudo às favas: as cobranças intermináveis, o estigma de ser-100%-em-tudo, as formalidades, as chatices, a politicagem barata. Elas têm, às vezes, vontade de ser selvagens, de não pentear a cabeleira e usar garfo quando bem entenderem, e se entenderem por bem.

Acreditem: as Princesas têm problemas estomacais. Flatulências, prisões de ventre, piriri, vômitos, azias, queimação. Até aí, tudo bem: isso é involuntário. E aquelas que arrotam de propósito? Ah, e tem Princesa por aí que jura que jamais dormiu uma só noite nessa vida sem tomar banho, sendo que eu aposto o meu próprio pâncreas que não há ninguém nesse mundo que nunca tenha feito isso por livre, espontânea e porca vontade.

[Acho que isso está ficando sórdido demais. Sigamos pra próxima pauta.]

Princesas choram sem motivo aparente, chegam até a irritar: com filmes fofos, episódios cotidianos, correntes de e-mail, pensamentos amorosos-teimosos – de catástrofe generalizada a embalagem de Tang, tudo é motivação para que elas derramem seus baldes de água salobra por aí.

Algumas Princesas são bem egoístas: não dão passagem no trânsito, param em fila dupla, possuem seta como elemento opcional no processo de direção. Outras são tão histéricas e cabeças-de-titica que provocam nos outros um sentimento genuíno de cometer um Princesocídio, a começar pelo Princesocida arrancar todas as unhas das mãos delas com um alicate mecânico. Isso aí mesmo, gente do bem: com requintes de crueldade.

Há dezenas de Princesas descoladas e desbocadas, daquelas que possuem vasta e rica lista de palavrões úteis, sabendo como empregá-los com sapiência e eloqüência invejáveis. São metralhadoras boca-suja nessa arte terapêuticas. Sorte delas, que provavelmente evitarão úlceras e uma série de outras complicações de saúde futuras.

Muitas Princesas acreditam em barbaridades e histórias da carochinha: testes de química entre pares, teoria de que o formato da mão determina o futuro amoroso, e por aí vai. Outras Princesas, por sua vez, são doentes de curiosidade, Fifis profissionais e inatas, daqueles tipos que olham fixamente quando vêem duas pessoas se beijarem a la desentupidor de pia, que acham que segredos ficam bem-guardados quando são distribuídos a muitos donos, que ouvem conversas por trás da porta, que torturam outros seres humanos em busca de resgatar babados novos.

[Essa Tábua de Verdades Inescapáveis vai se auto-destruir em 10, 9, 8...]

Pensando cá com os meus botões: o que essa trupe de Princesas tem de genial, então? Sinceramente, não sei como os Príncipes se apaixonam por elas... tá, na verdade, acho que arrisco um palpite: vai ver que o que tem graça mesmo nessa vida é a arte de ser semi-incrível.


DIRETO DA REDAÇÃO...
a Karina pensa que o vídeo a seguir tem tudo a ver com essa prosa!


Ciranda da Bailarina, de Chico Buarque & Edu Lobo, por Adriana Calcanhoto (2009)








sexta-feira, setembro 11, 2009

Divagações Mulherísticas

Por Karina Lima
Na era do Twitter, das frases de 140 toques e das informações truncadas ou contraditórias, o mundo está inundado de meias palavras, e elas falam cada vez mais, soltas por aí, desvairadas e vacilantes. Lançada essa nova coqueluche, peço licença para libertar alguns pensamentos aleatórios nessa sexta-feira emblemática:

Somos imitações baratas de longas-metragem
Todos os sábados à tarde, vou ao supermercado. Há iluminados dias em que capricho nesse look doméstico, mas na quase invariável maioria das vezes a escolha é composta de legging surrada e moletom na mesma condição. Se eu fosse uma personagem de filme, isso aconteceria? Óbvio que não. Mulheres que vão ao supermercado, em cenários de ficção, usam saia lápis, coque, impostam olhar confiante, e seus scarpins deslizam entre gôndolas, no melhor estilo femme fatale. Ah, e mulheres de cinema pensam em vinhos e outros artigos cool, e não em compotas, Chambinho e Sucrilhos, como eu. Não, a arte não imita a vida, e se fizesse isso, talvez os filmes não estourassem em bilheteria.

Hollywood-Não II: a Lei de Murphy no avião

Nunca houve em minha nada-mole-vida de turista um único vôo no qual eu dividisse fileira com um Hombre-Alvo-Interessante-Solteiro-Engatar-Papo-Já. Ao meu lado, sempre se sentam personagens do tipo: Indiano-Sem-Banho-Há-Uma-Semana, Senhorinha-Que-Pede-Minha-Sobremesa-do-Jantar, Evangélico-Quer-me-Salvar-do-Purgatório, Nerd-De-Ontem-Careca-e-Rico-Hoje, Mãe-de-três-pequenos-que-gritam-e-me-puxam-o-cabelo. Diacho de realidade aérea sangrenta... onde está o fator 'cinemalidade' dessa vida corporativa tão jumenta?!

MSN: Patacoadas Circenses
-- Mari, descola um pretê decente pra mim?
-- Assim, no teu perfil?
-- É...
-- Procurando onde?
-- Na sua empresa, acho. Gentes de nível.
-- Mas aí tem algo errado...
-- Tem?
-- Tem.
-- Pra você, local ideal pro par perfeito é Cirque Du Soleil, e não o meu trabalho.
-- Aaaaaaah, sua quenga!

O mercado das Mulherices: invista aqui!
Em plena ascensão, esse nicho econômico detém um verdadeiro arsenal de produtos para atrocidades: sorvete Haagen-Dasz doce de leite (‘Ele não me quer, vou me afogar nesse mar gélido de calorias!), Boxes de Séries Americanas (‘E daí que hoje é sábado?’), Trufas Macias (‘TPM, eu mereço!), biquinis (comprados junto com a promessa: ‘Vou malhar e ficar bem aqui dentro, em breve’), Livros Mulherzinha (do tipo “Ele não está a fim de você”). Isso tudo, em associação com tratamentos faciais, estéticos, unhas de silicone e fortunas pros cabelos ressuscitarem e parecerem com os da Sarah Jessica Parker. Quebrar e consertar, essa é a dinâmica do sucesso feminino! Faça já o seu plano de negócio no mercado das mulherices, e venda estupidilhões de reais pra essa gente tão consumidora!

O verdadeiro Teorema dos Tiranos
Você tem daquele chefe que parece o Darth Vader, que pede favores às 17h59, que atira radiação ultravioleta apenas através de um olhar lançado em sua direção, que nunca procurara no dicionário o que significa a palavra PRAZO, que sobe no balcão do check-in pra gritar na cara de pobres atendentes do aeroporto? Console-se: em casa, essa odiosa peste come na mão de sua respectiva esposa – se duvidar, da sogra também. Toda vez que sentir raiva, mulher, pense: já é calvário suficiente pra essa criatura ter que fazer parte de sua própria vida-demônia. Releve, releve! Faz bem, evita rugas e economiza Renew.

Sentimentos modernos
-- Cê gosta de mim?
-- Claro!
-- Muito ou pouco?
-- Muito!
-- Mas de que tanto?
-- Do tamanho da corrupção do Sarney!
-- Aaahhh, me convenci!

Em tempo: sim, concordo que pensamentos soltos não têm pé, lógica e nem cabeça. Oras... mas e a vida tem, por acaso? Namastê, sahibs!






sexta-feira, agosto 28, 2009

Prazer, Stella Benevides

Por Stella Benevides, a própria!


Uma e quinze da tarde, de uma manhã qualquer, eu em casa, começando a coar um café forte ao mesmo tempo em que procurava pelos meus óculos, regava a samambaia e servia o café da manhã dos meus oito felinos-filhos. Toca o telefone. Merda. Odeio quando o telefone toca e eu estou ocupada. Mesmo porque, quando o telefone toca aqui em casa, há uma gigantesca chance de que seja telemarketing, uma das maiores abominações do mundo moderno. Essa gente chata, pedindo donativo, vendendo purificador de água ou um plano imperdível de telefonia celular. E nem celular eu tenho! Não sei como eles continuam ligando depois das maldades que já fiz com alguns deles. Mas isso eu conto outro dia. Uma coisa, contudo, eu já aprendi sobre telemarketing: eles esperam a gente atender apenas cinco toques. Então eu espero também, só atendo no sexto. Se não há o sexto toque, é porque era telemarketing. Ou porque era alguém que não tinha assim tanta urgência em falar comigo. Dessa vez, houve o sexto toque. Eu atendi, era a Karina.

A Karina eu havia conhecido umas semanas antes, num hipermercado, num fim de tarde. Eu prefiro fazer compras de madrugada, hora em que não há chances de tropeçar em crianças endemoniadas pelos corredores e quando as filas nos caixas são bem menores. Eu odeio criança solta em supermercado. Acho que deveria ser obrigatório o uso de coleiras. Em alguns casos, focinheiras. Também odeio filas e quem puxa conversa comigo em filas. Quem puxa conversa comigo em fila de supermercado quase sempre são umas velhas desocupadas que querem comentar sobre uma promoção de xampu. Ou coisa bem pior. Dia desses esperava numa fila e um dos itens do meu carrinho era um pacote de cigarros. Uma velha de cara lavada, cabelo preso em coque e um saião que ia até o meio da canela me cutucou no ombro.

- A senhora precisa abandonar esse vício!

Como é que é, minha filha? Me conhece?

- A senhora não sabe o mal que se abriga nessa embalagem!

Tendo dito isso, abriu a bolsinha e tirou lá de dentro um papelzinho amarfanhado de propaganda de igreja. Segundo ela, eu deveria ir a um tal de culto da libertação. Eu pararia de fumar. E de beber. Eu me libertaria de tudo que é vício. Minha vida melhoraria absurdamente. Eu ficaria rica, saudável, feliz – e, provavelmente, linda como ela! Eu lá, desesperada porque a merda da fila não andava e a maldita da velha não parava de falar. Comecei a suar. Depois a tossir. Minha alergia a gente chata é implacável. E a velha continuava falando. Olhei bem pra ela, falei:

- A senhora pode passar na minha frente, que eu esqueci de pegar champanhe. Sexta-feira tenho que fazer um despacho e minha pomba-gira só aceita rosê!

Ficou lá parada, zoião arregalado. Diacho de gente insuportável! Não ficam contentes em fazer a religião lá entre eles, acham que têm que sair por aí perturbando os outros, arrumando mais clientes.

Mas eu estava falando da Karina. Eu tenho essa péssima mania de emendar um assunto no outro. Objetividade não é meu forte. Foi na fila do caixa, também, que eu conheci a Karina. Mas ela não cutucou meu ombro. Ela só achou engraçadas as caras que eu fazia, enquanto um velhinho à nossa frente se confundia durante a árdua tarefa de digitar a senha de quatro dígitos do cartão. Não sei que porra de modernidade é essa, dão cartão eletrônico pra esses pés-na-cova, olha no que dá! Isso eu não falei, eu só pensei. Mas a Karina deve ter captado telepaticamente, porque ela riu muito. Riu mais ainda quando, ao chegar minha vez, eu já fui dizendo: Não! Não! Dinheiro!

Eu não tenho paciência pra ouvir mocinha-treinada-para-trabalhar-no-caixa me fazendo aquelas mesmas perguntas, com aquela mesma voz molenga que todas elas têm:

- Nota fiscal pauliiiiiista?
- Cliente fidelidade da looooooja?
- Dinheiro ou cartããããão?

Um dia vão treinar uma foca pra fazer esse serviço e ninguém vai notar a diferença. Aliás, paciência também não é meu forte. Acredito que não seja difícil de notar. Eu só estava ali para comprar alguns itens de primeiríssima necessidade lá em casa – um pacote de Charm longo, um litro de Ballantine’s e um saco de 5 quilos de Whiskas, sabor salmão – e queria ir embora logo.

Paguei e entrei no elevador para o estacionamento. Não, eu não tenho carro, mas pretendia pedir fogo para um segurança com jeito de príncipe zulu no qual eu tinha batido os olhos num outro dia. Karina vinha saltitando nos scarpins logo atrás, pedindo pra segurar o elevador. Apenas dois pavimentos até o estacionamento. E não é que o desgraçado enguiça? Apagão no mercado todo e o elevador parou. Presos no elevador eu, o Ballantine´s, o Charm, o Whiskas – e a Karina. Ela insinuou um estado de pânico-mulherzinha, mas se acalmou quando me viu sentando no chão, tirando os sapatos, abrindo a garrafa e tomando um gole no gargalo. E acendendo um cigarro. E dizendo, docemente, as primeiras palavras dessa nossa amizade: PUTA QUE PARIU!

Durante os doze minutos que se seguiram (tempo que levaram para fazer a geringonça funcionar) trocamos palavras. O teor dessa conversa permanecerá em sigilo. Mas ela deve mesmo ter achado alguma graça em mim porque pediu meu telefone, dizendo que gostaria de voltar a conversar comigo. Bom, eu não tenho conhecido muita gente ultimamente e, desde que ela não fosse tentar me vender um purificador de água, eu não via nenhum problema.

Então naquela manhã, ela me ligou. Disse que queria minha participação em algo, me apresentar um projeto. Eu não entendo essa gente moderna, tudo o que inventam chamam de “projeto”. Parece que todos têm complexo de engenheiro.

Dei o endereço e dali a pouco lá estava ela. Falava pelos cotovelos.

- Stellinha, Stellinha! Você é perfeita para uma idéia que eu tive!

Sentamo-nos no sofá para conversar, acendi um cigarro, Tarcísio aninhou-se no meu colo. Tarcísio sempre procura meu colo quando me sento para ler ou só para meditar, entre um gole e uma tragada. Ele é muito carinhoso, daquele tipo de afeto que só os gatos sabem dar e que pouca gente entende. Ficou mais apegado a mim depois que Glória foi pro céu dos gatos. As pessoas não acreditam que ele tem vinte e cinco anos, gatos só vivem doze, quinze, mas ele tem vinte e cinco. Seu nome, claro, é uma homenagem ao maior de todos os galãs, daquele tempo em que os galãs tinham cara de homem e não de lagartixa, como esses de hoje. Montavam em cavalos bravos, falavam grosso e conquistavam suas amadas no braço, se necessário. Como Tarcísio, na primeira versão de Irmãos Coragem, em preto e branco, 1970.

Então a Karina falou entusiasmada do tal “projeto”, que ia ser assim e assado, que ia falar para e sobre as mulheres de hoje em dia, que blablablá e blablabá, que ia ter a participação de outra moça sen-sa-cio-nal lá de Florianópolis, que o blog isso, que o blog aquilo, e não-sei-mais-o-que e tal, que ela queria que eu participasse porque eu poderia dar um toque diferente, que eu tinha uma visão de mundo mais “ampla” (esse povo moderno adora uns eufemismos metidos a besta pra dizer que alguém é velho!) e isso e aquilo e blog pra cá, blog pra lá, blog, blog, blog.

Esperei ela terminar, acendi calmamente mais um cigarro, traguei, soltei a fumaça pela janela, fiz um carinho no Tarcísio, olhei bem pra ela e só fiz uma pergunta:

- Karina, o que é “blog”?

Ela tentou disfarçar a expressão de espanto, mas eu logo informei a ela que o contato mais íntimo que tive com computadores foi no tempo dos bingos (ah, que saudade!), quando havia aqueles terminais para jogar com várias cartelas.

Bom, ela me explicou o que era “blog” e jurou que muita gente ia ler, feito uma revista feminina semanal, só que sem papel. Eu DE-TES-TO revistas femininas! Abriu a maletinha que carregava e só então eu notei que se tratava de um desses computadorezinhos portáteis.

- Eu vou te mostrar o template que eu fiz! Eu gravei no pendrive! Ué, cadê o pendrive ... estava aqui, cadê?

Eu não sabia o que era template e nem o que era pendrive, mas quando ela me disse que uma dessas coisas, não sei exatamente qual delas, era um objeto pequeno, semi-cilíndrico e leve, eu me levantei e fui procurar por Paulo Salim.

Paulo Salim eu encontrei vagando sobre o Minhocão, há uns quatro ou cinco anos. Apesar da aparência de mendigo, todo esfolado, magro e faminto, tinha um ar arrogante de quem já foi gato de madame. E me deu trabalho, não queria sair de lá. Parecia mesmo que o Minhocão era dele. Mesmo assim, quando eu o trouxe para casa e cuidei dele, ainda não tinha um nome para lhe dar. Até que começaram a sumir coisas.

Peguei o canudinho debaixo da almofada de Paulo Salim e entreguei à Karina que me mostrou as figurinhas engraçadinhas na tela e continuou falando, falando e falando.

- Stellinha, você tem que escrever pro Mulherices!

Eu, Stella Benevides, após quatro casamentos, querendo uísque e sossego, vivendo com oito gatos e nenhum computador, escrever sobre “mulherices” com essas meninas cibernéticas?

Ah, me poupem!
Idéia absurda, me deu saudade das vendedoras de telemarketing.

Karina não aceitou uísque e nem ficar pra jantar. Quando saiu pela porta ainda falava entusiasmada. Para não decepcioná-la, falei que ia pensar no assunto.

Eu não ia pensar em nada!

Mas...
Naquela noite, quando terminou o Programa do Jô, começou um filme muito chato. Nos outros canais, programas de gente tirando capeta do corpo. Fiquei com medo de ver a velha do supermercado na TV. Desliguei. Meus felinos-filhos todos dormindo quietinhos. Fiquei andando pelo apartamento, copo e cigarro na mão. Matutei, matutei. Peguei a escada e encontrei no alto do guarda-roupas a minha velha Remington, portátil, igual ao computadorzinho da Karina. Tirei a poeira, achei umas folhas de sulfite. Sentei-me diante dela e pensei:

- Por que não?

Mulherices, sei. Conheço muitas.
Ok, vamos tentar.

[datilografando]
Muito prazer, Stella Benevides.



Vinheta de abertura original da novela "Irmãos Coragem" (Rede Globo, 1970) - segundo Stella Benevides, uma novela do tempo em que os galãs tinham cara (e atitude) de homens.







sexta-feira, agosto 21, 2009

As Dez Mulherices do Mal

Por Karina Lima


Se alguém nunca aprontou sequer uma das macaquices aqui dispostas, monte já seu workshop para um vasto público-alvo: o de mulheres alteradas. Meras mortais, é hora de cuspir verdades no confessionário. Que rufem os tambores, porque no nosso ‘Top Vergonhas Nanicas’, as estatuetas do Mulherices vão para...

1.
Viver relacionamentos insossos – isso, só pra não ser vítima da Patrulha-Anti-Solteirice, que combate seres avulsos com raios laser e choquinhos de baixa voltagem. Anote essa sábia frase: “de morno, nessa vida, só xixi!”. Moçoila: mora em você um receio de baixar a guarda pra alguém que te faça perder as estribeiras, destituir a ordem cerebral? A gente dá o diagnóstico: essa anomalia se chama SINMEFOIDI (Síndrome do Medo de Ficar Obediente e Idiota).

2.
Atacar de Norminha – em suma, dar o leitinho com sossega-leão pro amado, e partir pro mundo em busca de aventuras extra-conjugais – leviandade com par de chifres é infração de sete pontos, gravissíma. Fogueteiras, ouçam: bumerangues e Justin Timberlake já ensinaram: “what goes around...comes around!” [o que vai, volta!]

3.
Condenar bonzinhos do tipo ‘criados pela avó’ – acha aquele nerd-certinho o verdadeiro fim da feira? Pois lembre-se, criança: todo mundo tem genes de cafa-canalhice, esperando o ‘plim!’ pra despertar -- até a mais fofolina, ursinha e pacífica criatura pode se transformar em uma aberração bruta e que baba, e isso só depende do histórico desse ser no transcorrer da vida sentimental. Geração saúde também se aplica ao inefável coração de melão!

4. Fingir-se de morta –
esse é crime-mor amador. “Uhn... você me ligou?” “Tor-pe-do? Jamais! Meu telefone é do Paraguai, tsc, tsc...”. Deixe a cegueira pra assolar a vida de quem não pode lutar contra ela, como o Geraldo Magela ou a cantora Kátia – aliás, não 'faça a Kátia', bancando a pseudo-ceguinha – você, divinamente dotada de visão cristalina, cesse a doidice... ou pelo menos tente a resolução de mudar da vida bandida para uma condição superiormente interessante. Fazer a Kátia é a treva!

5. Cozinhar o galo –
eis aqui a mulherice mais auto-explicativa, que é prima de primeiro grau das táticas ‘fingir-se de morta’:

ELE:
“Vamos sair?”

ELA:
“Ih... preciso levar minha mãe ao bingo!”
“Ih... hoje levo minha iguana de estimação pra lavar!”
“Ih... só tenho seis meses de vida!”
“Ih... tô com a cara cravejada de espinhas!”
“Ih... meu cachorro engoliu as chaves de casa...”
“Ih...tá chovendo a cântaros!”
[enquanto o sol brilha na capital]

6. Ter síndrome do Gato Félix –
respondam, criaturas insanas e do além-mar: celular, estojo, pé de cabra, guarda-chuva, escafandro, nécessaire, álcool-gel, chapinha, bloco de anotações, abajur, foto do Bono Vox, protetor solar, alicate, livro, porta-niquel, iPod, óculos escuros... tudo isso é realmente necessário na bolsa? Titia Kari alerta: quando seus ombros ficarem em disposição diagonal, não vale dizer que a vida é torta!

7. Apedrejar a mamãe dele –
progenitoras não carregam seus pupilos por nove meses à toa: elas são entidades superiores de uma realidade Matrix, meio que intocáveis. Chamar a mãe dele de porca e chovinista não é glam... você perde a ‘crásse’ e, se vacilar, o amado bofe.
8. Rivalizar com futebol e cerveja –
futibas é saudável e evita AVCs (isso se ele jogar – assistir, feito o Homer Simpson, só faz crescer a pança!). Beber ajuda a esquecer neuras no trabalho, e também a relevar as suas enxaquequices na TPM, mulher infernenta!

9. Pirar com telefone – se ele não liga, você carrega o celular-amuleto no pescoço, e não ocupa a linha nem pra salvar uma vida. Se ele liga demais, aí você perde o interesse. Se ele não liga muito, aí você liga pra dar bandeira, ou manda aquelas mensagens “vou marcar presença sem parecer periguéte”. Sai, perturbação!

10. Cometer excessos – se você está na fossa, bebe todas e dá vexame no balcão do bar, é hora de procurar terapia e curar sua síndrome dor-de-cotovelo-etílica. Agora, se teu mal é engolir uma caixa de Ferrero Rocher depois de uma briga, não chore quando seus quadris ficarem do tamanho de um jumento, Srta. Joselita – se concluir que não consegue manter um relacionamento sem se flagelar, opte por conviver com um gato (quadrúpede e felpudo) e Nesquik Morango como cias. inseparáveis... vai ser o jeito!

Comete de 0 a 3 mulherices?
Parabéns! Sua mente é sã e sua alma está longe do purgatório, ufa...
__Comete de 4 a 7 mulherices?Atenção! Sua sapatilha Melissa está derretendo porque você já está com um pé no inferno!
__Comete 8 ou mais mulherices?Procure exorcismo profissional ou os Caça-Fantasmas, porque a coisa tá é FEI-A. 

quarta-feira, julho 29, 2009

Nossas Preliminares: sejam bem-vindos!

Por Karina Lima

Por aqui, vamos falar sobre mulheres.

Sim, sim: exclusivamente sobre elas. Aquelas que acordam diariamente com gana de conquistar o mundo, ou pelo menos de dominar a própria cabeleira rebelde, anárquica e com frizz. As que possuem fases e facetas, assim como a Lua. Que procuram a cara-metade loucamente, sonhando com o felizes para sempre, e com o beijo ao som de uma linda canção, em plena chuva fina, ao final das histórias. As que acham os pretendentes engomadinhos um profundo e encorpado porre. Aquelas mesmo, as mulheres. As que jogam o cabelo para flertar e seduzir, e que se fingem de desentendidas quando são (uhu!) correspondidas. As que mantém, como padrão, cabeça nas nuvens e coração palpitando.

Mulheres são seres únicos.
Elas não se envergonham ao chorar por amor, vestem a capa de super-heroínas ao nascer do sol, são meninas, mulheres, mães, amigas, profissionais. Heroínas de bico fino, salto alto, meia-calça, saia lápis. Um universo infinito de feminilidade, charme, perfume, instinto, fragilidade. Elas se entregam: a um ou, quiçá, a vários sortudos. Elas são portadoras do milagre da vida, e são capazes de morrer por suas crias. São donas de apurado sexto sentido. Algumas têm um gênio do cão, mostrando-se voláteis e de alta periculosidade se afrontadas. Ah, essas mulheres...

Mulheres são esquisitinhas.

Elas procuram nuvens nos dias de sol, e também sarna para coçar. Elas adoram estar no comando, além de ser, ao mesmo tempo, contrariadas. Elas não se contentam com os problemas reais, e por isso se aterrorizam com suas catástrofes imaginárias. Elas rivalizam com jogadores de futebol e cerveja. Bebem até dar vexame com o celular graças à agenda telefônica e aos amores-mal resolvidos do passado. Elas começam dietas às segundas, e cessam esse sacrifício após avistar a primeira trufa calórica e apocalíptica, ou o bom e velho pote de Nutella: uma verdadeira mistura de avelã com o 'inominável'.

Elas são surrealmente labirínticas e diferentes, a exemplo de nós mesmas - Stella, Vanessa e eu (nossos perfis comprovam isso, à direita da tela). Orbitamos por cenários bem distintos e, por falar em órbita, arrisco já que a Stella não pertence a esse planeta, ou talvez à nossa galáxia. Vanessa concorda comigo, aposto uma nota de R$10 que sim.

Não há jeito, não: só essas criaturas raras possuem o poder para colecionar tantas MULHERICES. Morrendo de ansiedade, matando um leão ao dia, chorando em bicas, encaixando quadris em calças jeans, delirando com comédias românticas, rindo de si mesmas e dos outros, alçando grandes vôos e feitos... toda mulher é um portal para uma dimensão encantadoramente louca e interessante, decerto que sim.

Há quem diga - fique cá entre nós – que elas são meio malucas.
 
Aproveitem as nossas viagens e, independente da gravidade dos dramas femininos que por aqui passarem, mantenham seus cintos afivelados!