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sexta-feira, janeiro 21, 2011

[Mais] Feliz

Por Karina Lima
Perguntem a 10 pessoas o que elas querem da vida, e preparem-se para uma resposta clichê e unânime: todo mundo quer ser feliz. Sem demagogias ou explicações, a tal felicidade é conquista mais cobiçada do que par de sapatos Loubotin, mais desejada do que ala VIP no show do U2. Curiosamente, essa gente toda podia querer uma infinidade de coisas, trabalha duro para dominar o mundo, e no final só deseja aquilo que os contos de fadas prometiam: o ‘felizes para sempre’.

Em uma das minhas 4.752 reflexões existenciais dessa semana, mirando o trânsito da Marginal Tietê brincar de estátua, eu retrocedia a um tempo que não vivi: nos modelos anteriores de sociedade, a grotesca força das tradições e da religião criava grandes mordaças que impediam a manifestação mais pura e marota da felicidade. A repressão era tanta, que todo ser só tinha forças pra se angustiar e sofrer. 'Fase mais cretina', pensei alto.

Hoje é absoluta-e-totalmente diferente. Ou não, convenhamos.

A nossa modernidade trouxe iPhones, reality shows, redes sociais, micaretas, tendências fashion, modas, tribos e outros recursos incríveis para preencher um amplo galpão: o nosso bom e velho vazio existencial da pós-modernidade. A pressão é tanta, a necessidade de parecer um ser bem sucedido, resolvido e relacionado é tão aterradora, que com toda essa globalização e avanço costumo dizer que retrocedemos a largos passos. Conheço gente de todo tipo de pedigree social que só leva o tempo em se consolar e se deprimir. Mas esperem: a liberdade é tanta, a neura com a saúde é tão surreal... que todo mundo deveria ficar super feliz com essa perfeição toda, certo? Errado. Conhecemos o reino da felicidade paradoxal: ter tudo nas mãos mas, lá no fundo, não ter coisa alguma. Para uns, tristes são os tempos modernos.

Conheço bem dois novos vilões desse milênio: a piscina e o SPA – todo mundo cultuando o próprio corpo, olhando só pro umbigo e aplicando botox até nos cotovelos. Vejo gente por aí que tem a cara igualzinha ao solado de um tamanco de madeira: aquela coisa lisa, artificial, bizarra. A vida é tão dura, o peso dela é tamanho, estamos tão esmagados pela dor do atraso de quem está sempre em beta, a rotina é tão maçante, que é normal precisarmos de auto-recompensas: compramos desenfreadamente como se o amanhã não existisse, consumimos chocolates como se calças jeans fossem super elásticas, malhamos como se tivéssemos que queimar as calorias presentes em um boi inteiro e sedentário de trocentos quilos. Fazemos yoga pra calibrar o espírito, vamos à terapia e somos ultra conectados. Aham. Tudo isso ao mesmo tempo e agora, sem necessária ordem, razão ou lógica.

Temos pressa. De quê, eu sinceramente não sei. Dos nossos novos absurdos, o melhor deles é a felicidade virtual: na internet, há uma avalanche de alto-falantes da turma do “alooou, sou feliiiiiz pra caramba!” – eu me pergunto por que felicidade virou obrigação social, ou cortina de fumaça pro exato contrário na vida real. Dou até risada de umas mulinhas que dizem ser invejadas pela sua alegria irritante e plenitude de vida, provocando uma certa platéia-alvo covardemente. É de procurar a faquinha de Pão Pullman pra cortar os pulsos, não?

Quem me dera se toda gente por aí simplesmente praticasse o bem, sorrise, mentalizasse o bom, agradecesse o que há pra agora, usasse da gentileza e desativasse a vitrine do desfile de felicidades mal-fabricadas, aquelas que vieram do Paraguai. Essa onda já passou, ficou démodé, cansou.

Tendência e moda são, acreditem, ser gente de verdade: com remelas, tropeçando, sentindo medo, preguiça, fazendo tolices, acordando com o cabelo do Rei Leão, tentando acertar, olhando nos olhos dos outros, encarando a vida de frente. Nesse quesito, a minha coleção primavera-verão 2011 já está aí, na passarela mais próxima de vocês.

Penso que o jeito é 'fazer carão' todos os dias e desfilar minha felicidade que vez ou outra apresenta alguns sintomas de mau contato, mas que é 100% real e garantida quando se revela, da maneira mais natural.

sexta-feira, maio 07, 2010

Pai

Por Stella Benevides
Amiguinhas do Mulherices!

Como vocês estão mais do que cansadas de saber, a Tia Stella não é do tipo que se preocupa muito com a opinião alheia. Também não costumo ficar muito feliz quando aparece alguém querendo se meter na minha vida ou achar que pode reprovar algo que eu faça ou pense. Aliás, como vocês também já sabem, eu costumo mandar intrometidos pro meio dos infernos, sem qualquer cerimônia e sem culpa nenhuma. Já passei faz muito tempo da idade de me importar com o que os outros pensam, não devo nada a ninguém e ninguém paga minhas contas. Crio meus gatos, cuido dos cachorros da rua, tomo meu uísque, fumo meu cigarro. Tudo problema meu.

Da mesma forma, também não costumo me interessar muito pela vida alheia. Cada um que saiba de si. Pelo menos até que se interfira na minha vida ou que me pisem em algum calo.

Pois é.

Aqui, bem ao lado do meu prédio, num casarão caindo aos pedaços, que não vê uma mão de tinta há uns vinte anos, mora uma família. É uma família moderna, dessas que só tem mulher e criança. Vocês sabem, né? Mãe, duas filhas, as duas com vinte anos no máximo, cada uma com um filho. Uma delas de barrigão, esperando o segundo. Nenhum pai ou marido.

Eu talvez nem notasse essas pessoas se lá não saísse tanta briga e gritaria, dessas que não tem como a vizinhança ignorar. E os showzinhos não têm hora certa pra acontecer, não. Pode ser de manhã, à tarde, no meio da madrugada. Quebra pau de mãe com filha, de irmã com irmã, com direito a xingamento de palavrão pra todo mundo ouvir. Briga de mãe com criança, de criança com criança. E outras, envolvendo uns namorados estranhos mal encarados. Mas esses não são sempre os mesmos. Aparentemente são trocados por outros uma vez por mês, mais ou menos.

Ah! Mas isso é tão normal atualmente, né? É até meio difícil encontrar família com pai! E ser mãe solteira é tão bacana, né? Todo mundo acha, ninguém mais se espanta. Até comercial de margarina, desses que sempre mostraram famílias felizes tomando café da manhã, agora têm famílias só de mãe e filhos, né?

E na novela então? A moça que já tem uma filha sem pai teve outro bebê! E desse, nem ela mesma sabe quem é o pai. Está todo mundo esperando o último capítulo pra saber. Super legal, né? Ah! E ser mãe solteira é tão fácil e bacana, que ela arrumou até um velhote argentino trouxa que quer de todo jeito ser o pai dos DOIS filhos dela. Ó, que lindo?

As pessoas até enaltecem, dizem que são mulheres “guerreiras”, que fazem papel de pai e mãe, que conquistaram um espaço, que são o orgulho da espécie feminina!

Eu concordo que muitas até são mesmo.

Mas o que eu não engulo de forma alguma é esse “elogio à mãe-solteirice”, como se a figura do pai tivesse passado a ser um acessório dispensável, sem importância nenhuma e, algumas vezes, até indesejável.

E essa, como tantas outras, é mais uma dessas idéias moderninhas que vão entrando nas cabecinhas das pessoas, tanto homens quanto mulheres, até que todos se convençam de que é mesmo assim. É assim e pronto. E quem não concordar é burro, é antigo ou é preconceituoso.

Esse mundo anda pra trás, achando que anda pra frente.

Pai é sempre pai.

Na maioria das espécies animais, inclusive na nossa, o pai sempre foi, é e será pra sempre o protetor. Foi assim desde antes de a gente descer das árvores e ocupar as cavernas. Eu não acredito em família sem pai. E qualquer mulher, por mais “guerreira” (ô, palavrinha idiota!) que seja, sempre será um falso-pai. Um pai pela metade.
E tem uma coisa que você JAMAIS ouvirá da boca desse povinho “politicamente correto” e nem verá nas novelas: é que uma família de mãe solteira tem MUITO mais chance de gerar uma OUTRA família de mãe solteira!

E isso é tão lógico. E é tão fácil de entender!
Família sem pai, vagabundo não respeita.

E aí crescem essas meninas meio largadinhas e sem limites. Uns meninos sem referência masculina que preste. Todos sem saber direito o que significa autoridade. Eu, pelo menos, sou do tempo em que a mãe da gente, quando queria deixar a gente com medo, dizia: “Oooolha! Eu vou contar pro seu pai!”. Porque mãe é mãe. Autoridade é coisa de pai.

E aí, se você junta esse panorama familiar todo bagunçado com falta de grana, já sabe onde a coisa vai dar, né? Olha em volta, que beleza que a sociedade está!

E não me venham com esse blábláblá de que criminalidade, prostituição, pedofilia e meninas ficando grávidas cada vez mais cedo é culpa da “exclusão social”, da “falta de oportunidade” ou da omissão do governo. E que o remédio é fazer projeto social, quadra de esporte e lan house na favela. Isso aí é papo furado que só serve pra político demagogo ganhar voto, pra Regina Casé inventar mais um quadro idiota pro Fantástico e pra ONG picareta arrancar dinheiro do governo.

A culpa dessa desgraceira toda é uma só: da falta de FAMÍLIA!

Mas ... como sempre ... SEMPRE tem uns e outros bem interessados nessas mudanças no jeito de as pessoas viverem. E tem mesmo, muita gente, mesmo que não confesse, que lucra muito com as famílias cada vez mais esfaceladas ... ô, se tem! São as mesmas pessoas que também tentam desmoralizar, de tudo quanto é jeito, a autoridade das religiões. Será que você percebe? Ou sou eu que vejo coisas? Mas isso é assunto pra outro papo da Tia Stella. Hoje não, outro dia.

Mas eu falei lá em cima que não me meto na vida das pessoas. Não me meto mesmo. Cada um que cuide de si. Mesmo assim, eu tenho uma coisinha pra dizer pras mocinhas espevitadas.

Meninas, vocês querem dar? Dêem! Dêem muito! Dêem pra quem vocês quiserem. O quanto quiserem. De preferência, dêem bem dado. A periquita é de vocês, ninguém tem nada a ver com isso. Mas, puta que pariu, TOMEM PÍLULA, suas antas! Não têm dinheiro pra comprar? Peguem de graça no posto de saúde! Só não botem criança nessa porra de mundo, pra ficarem por aí, largados e virarem mais gente desmiolada feito vocês! Não fiquem achando que a vida é novela e que é muito lindo e facinho criar sozinha o seu pimpolho.

Criança não é pra fazer experiência.
Criança precisa de mãe e precisa de pai.

E família sem pai é igual a uma bicicleta de uma roda só.
E sem freio.



sexta-feira, dezembro 18, 2009

Algo Sobre as Mulheres do Século 21...

Por Fábio Pegrucci, cronista convidado Amanhece.

O despertador toca e eu pulo da cama, decidida e cheia de vigor. Escova de dentes, escova de cabelo, maquiagem, café, bolsa, rua! Sei muito bem quem sou e para onde vou. Óculos escuros, partida no carro. Sou forte, sou segura, sou bela e sou moderna! Independente e auto-suficiente – eu me basto! Tenho muita coisa na cabeça, muita coisa pra fazer, pouco tempo pra perder.

Nem me lembro de você – às vezes nem sei se você existe mesmo! Não me lembro do seu nome, nem do seu cheiro e nem da sua voz. A propósito, não me ligue, eu não tenho tempo! Tenho que trabalhar, o dia será cheio. Não me amole com seu sentimentalismo e nem me venha falar da sua carência. Eu tenho pressa. Eu tenho objetivo. Eu vou estudar, eu vou crescer, eu vou pra Europa! Dá licença, não me chame, não me interrompa e sobretudo não queira saber aonde estou: eu não estou nem aí pra você!

Telefone, agenda, compromisso, corre-corre. O chefe, o chefe do chefe e o chefe do chefe do chefe, todos me solicitando – e eu sou uma só! Que dia, que dia! Ainda bem que eu sei bem quem sou, o que quero e de nada sinto falta – ainda bem! Pausa para um chá, deixa eu respirar. Deixa eu suspirar... Deixa? Ai...

Ai, que estranho, me deu uma coisa... Uma coisa esquisita, uma saudade não-sei-de-quê! Não deve ser nada, só cansaço, só isso. Que bobagem, vai passar, vai passar... TPM, deve ser TPM ... mas já? Ai, que vontade de chorar! Que coisa estúpida, que besteira é essa? Não sei o que me deu, mas tô com vontade daquelas coisas que só você sabe me dar... Ai, me dá, me dá? Faz daquele jeito que me deixa que nem criança? Ai! Que bom que é! Você pode me abraçar e me mimar?

Eu quero, eu quero!

Quero que você brinque comigo, eu quero ser criança! Me leva na padaria e compra pra mim aqueles docinhos coloridos em forma de bichinho? Compra, compra?? Ai, cuida de mim que eu gosto... Pega um DVD de desenho e assiste comigo comendo pipoca? E se eu pegar no sono, você promete que me pega no colo e me leva pra cama, mesmo que eu não queira ir? Faz lanche pra mim, faz café da manhã? Compra chocolate, pirulito, jujuba? Ai, que delícia que é...

Quando eu estou saindo do banho, você pega uma toalha limpinha e coloca nas minhas costas, me embrulhando! Você nem olha pro meu corpo nessa hora, nem olha! Sabe? Eu nunca te falei, mas eu acho isso uma coisa tão linda... E quando eu estou com um chiclete na boca e não tenho onde cuspir, você coloca a sua mão em forma de concha, bem debaixo do meu queixo!

Ai, que bom que é estar nesse seu mundo! Poder ser menininha, usar camisolinha e pantufas, nada de gloss, de rímel, de scarpin! Poder fazer pirraça, dizer “não, não, não!”, se você quiser alguma coisa e “sim, sim, sim!”, se não quiser – só pra contrariar! Só porque é gostoso – e porque, de uma forma ou de outra, você vai olhar pra mim com aquele seu olhar amoroso e ligeiramente paternal, vai me segurar com aquelas mãos firmes de quem sempre sabe o que fazer, vai me tratar com aquela sua paciência oriental. E eu não preciso pensar em nada, porque você faz isso por mim. Eu aceito, me aninho no seu peito e, por um instante, até penso em te pedir desculpas pelo tanto que te faço sofrer... Mas nem isso eu preciso fazer, porque você já me desculpou antes que eu peça!

Ai, ai, ai ... Que saudade!
Onde está você? Por que não me manda um torpedo engraçado, porque não me escreve um e-mail cheio de palavras doces? Por que não me liga, por que?? Será que não percebe que agora eu fiquei com saudade? Como você pode ser tão insensível???

Ah! Se sacode, mulher! Para já com isso, tanta coisa pra fazer e você aí, viajando na maionese dessa fantasia boba! Não dá certo, não dá – isso não serve! Isso é tudo perda de tempo e o tempo é curto: tenho um relatório pra entregar, tenho que estudar para as provas – ai, as provas! Daqui a pouco tenho que pensar no TCC, ai que pavor!

Ainda bem que eu sou auto-suficiente! Ainda bem que eu não dependo de nada, de ninguém! Ainda bem que eu sou assim equilibrada, centrada, controlada, ainda bem! Minhas vontades eu controlo muito bem, ta? Você que nem ouse invadir meu pensamento com esse seu corpo de homem, com esses brações torneados, com essa barriguinha marcada... Hoje não! Hoje eu não quero! Não vou neeeeem lembrar dessas suas coxas peludas e dessas curvinhas nas suas costas, não vou! Muito menos vou me lembrar dessas suas mãos cheias de dedos me pegando e me apertando, dessa sua boca roçando minha nuca e dessa sua voz me falando aqueles absurdos no ouvido! Não, não e não ... não vou! Pode sumir do meu pensamento com essa sua língua quente e, sobretudo, leve pra bem longe daqui essa sua “coisa” dura porque hoje eu não quero!

Eu vivo muitíssimo bem sem isso, viu? Se digo que não preciso é porque não preciso e, a propósito, minha calcinha não está molhada, é apenas impressão!

Seu maldito!

Quando eu te pegar, vou te mostrar quem é quem! Sou muito mulher pra te jogar na cama e fazer do MEU jeito! Eu SEI fazer! Eu te seduzo, te amoleço, te desarmo e te mato de prazer! Te faço de objeto, uso esse seu corpo pra me satisfazer e pronto! Sexo é sexo e eu sou MULHER o bastante pra não perder o controle!

Eu te controlo! Eu te domino! Eu te escravizo!

Isso, isso, isso ... Isssso!Me bota de quatro, me pega, me segura, de DOMINA, porque é tudo o que eu mais quero!! Faz com força, me possui! Me faz tua fêmea, tua cadelinha! Me bate, me xinga, me humilha, mostra quem é que manda aqui! Porque quem manda aqui é VOCÊ, meu dono, meu rei, meu macho... e eu QUERO assim! Safado, cachorro, filho-da-puta! Eu gosto é ASSIM, e você sabe disso!

Ai, que droooooooga!!!

Olha o relatório, nem comecei! Ai, ai, ai ... Ta bom, passou! Lavo o rosto, mais um chá, um copo dágua!

Chocolate, chocolate, eu preciso de chocolate!! Quem pegou aquela trufa que estava na minha gaveta?? Ih, eu já comi?!

Pronto, pronto! Já passou, já passou!
Tenho que trabalhar. Olha o telefone tocando. Alô, pois não, um minutinho! Cadê minha agenda? A que horas mesmo é a reunião? Ah, que bom, estão reconhecendo meu valor por aqui! Vou me formar, me pós-graduar, que maravilha! Vou pra Europa, vou ganhar muito dinheiro, vou comprar um apartamento, um mooooonte de roupas, de bolsas, sapatos, uhú! Viva eu, viva eu! Não preciso de ninguém! Mas será mesmo que eu comi aquela trufa? No fim de semana ligo pras minhas amigas, vamos sair por aí e falar muita bobagem, principalmente vamos falar mal dos homens, todas elas falam, acho que vou falar também! Ah, que bom, que bom! Depois vai cada uma pra sua casa dormir sozinha e daí? Sou independente, auto-suficiente e super centrada! Sei muito bem o que quero e acho essa história toda de “amor” uma patetice que só atrasa a vida da gente, ta? Eu acho MESMO, ta? Não duvide!

Mas... sabe?
(Ih, quem é essa agora?)
É que de vez em quando ele fala sobre ter um projeto em comum, de ter uma casa com quintal gramado, uma piscina e um cachorro! Eu acho bonitinho às vezes. Só às vezes, mas acho... Será que a gente podia ter uma rede na varanda, pra namorar no fim da tarde? Será que podia ter jardim? Com rosas, será? E a gente podia convidar nossos amigos pra comer pizza e jogar buraco no sábado à noite?? E aí, depois que eles fossem embora, a gente namorava um pouco, dormia junto, abraçado, que gostoso! Assim, esposa, marido... Com aliança no dedo e tudo!

Nossa casa, nossas coisas, tudo nosso!

Um dia a gente teria um bebê! Sim, um bebê. Tanto faz se menino ou menina, tanto faz... Ele quer, não é lindo??? Quer ter um bebê comigo! Geeente! Já pensou, eu GRÁVIDA, quanto esse homem vai me mimar??? Há há há! E ele pede pra eu só IMAGINAR o QUANTO ele vai amar um filho meu... Ai, que lindo... Ai, que vontade de chorar...

Ele gosta de uns nomes “clássicos”, assim tipo “Francisco” e “Beatriz”, “Tomás” e “Clara”... Ah! Eu não gosto, não quero colocar nome de velho no meu filho! Tá vendo, a gente não dá certo, não dá, não tem jeito!!

Ainda bem que eu não to nem aí pra isso! Eu sei MUITO bem o que quero, sou independente, auto-suficiente e suuuuuper equilibrada! Olha o telefone tocando de novo!! Cadê minha agenda? Ih, esqueci a hora da reunião! Eu tenho certeza de que não comi aquela trufa, não comi!
Meu Deeeeus, ainda não são nem onze horas??? Minha analista, eu preciso ligar AGORA pra minha analista!!






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