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sexta-feira, novembro 20, 2009

Princesologia Aplicada

Por Karina Lima

A verdade nua, crua, implacável e galopante pode não agradar, mas preciso lhes dizer: Princesas são verdadeiras anti-heroínas. Sim, elas são assim.

[É agora que entra aquela trilha sonora sinistra]

Princesas não fazem, sempre, ares de languidez e mistérios: às vezes, elas não estão entendendo é nada. Estão mais perdidas que cego em tiroteio, quase pedindo ajuda aos universitários, prestes a tomar chá de bússola pra orientar algumas (poucas) idéias trôpegas em meio a uma situação corriqueira qualquer.

As Princesas nem sempre querem se portar como damas. Pelo menos por alguns instantes, em ocasiões escolhidas, elas buscam intensamente despertar suas vacas-mimosas interiores, mandando a recomendável e boa postura pros diabos, acionando a fatia ‘Periguete’ do córtex, de propósito. Aí vale o batom reforçado, o vestido, o balanço sinuoso das cadeiras.

[Vai madrecalcutar e dizer que é tudo mentira? Oká, vá em frente...]

Princesas nem sempre são bonitas pela manhã. Elas acumulam remelas. Quando somadas a restos de lápis de olho então, a situação fica mais crítica ainda. Se a maquiagem não tiver sido retirada na noite anterior... misericórdia! Algumas babam, outras roncam. Outras despejam grunhidos incompreensíveis no cair da noite.

[Alto lá, não me refiro aos ruídos incompreensíveis que vocês pensaram agora!]

Às vezes, Princesas têm vontade de mandar tudo às favas: as cobranças intermináveis, o estigma de ser-100%-em-tudo, as formalidades, as chatices, a politicagem barata. Elas têm, às vezes, vontade de ser selvagens, de não pentear a cabeleira e usar garfo quando bem entenderem, e se entenderem por bem.

Acreditem: as Princesas têm problemas estomacais. Flatulências, prisões de ventre, piriri, vômitos, azias, queimação. Até aí, tudo bem: isso é involuntário. E aquelas que arrotam de propósito? Ah, e tem Princesa por aí que jura que jamais dormiu uma só noite nessa vida sem tomar banho, sendo que eu aposto o meu próprio pâncreas que não há ninguém nesse mundo que nunca tenha feito isso por livre, espontânea e porca vontade.

[Acho que isso está ficando sórdido demais. Sigamos pra próxima pauta.]

Princesas choram sem motivo aparente, chegam até a irritar: com filmes fofos, episódios cotidianos, correntes de e-mail, pensamentos amorosos-teimosos – de catástrofe generalizada a embalagem de Tang, tudo é motivação para que elas derramem seus baldes de água salobra por aí.

Algumas Princesas são bem egoístas: não dão passagem no trânsito, param em fila dupla, possuem seta como elemento opcional no processo de direção. Outras são tão histéricas e cabeças-de-titica que provocam nos outros um sentimento genuíno de cometer um Princesocídio, a começar pelo Princesocida arrancar todas as unhas das mãos delas com um alicate mecânico. Isso aí mesmo, gente do bem: com requintes de crueldade.

Há dezenas de Princesas descoladas e desbocadas, daquelas que possuem vasta e rica lista de palavrões úteis, sabendo como empregá-los com sapiência e eloqüência invejáveis. São metralhadoras boca-suja nessa arte terapêuticas. Sorte delas, que provavelmente evitarão úlceras e uma série de outras complicações de saúde futuras.

Muitas Princesas acreditam em barbaridades e histórias da carochinha: testes de química entre pares, teoria de que o formato da mão determina o futuro amoroso, e por aí vai. Outras Princesas, por sua vez, são doentes de curiosidade, Fifis profissionais e inatas, daqueles tipos que olham fixamente quando vêem duas pessoas se beijarem a la desentupidor de pia, que acham que segredos ficam bem-guardados quando são distribuídos a muitos donos, que ouvem conversas por trás da porta, que torturam outros seres humanos em busca de resgatar babados novos.

[Essa Tábua de Verdades Inescapáveis vai se auto-destruir em 10, 9, 8...]

Pensando cá com os meus botões: o que essa trupe de Princesas tem de genial, então? Sinceramente, não sei como os Príncipes se apaixonam por elas... tá, na verdade, acho que arrisco um palpite: vai ver que o que tem graça mesmo nessa vida é a arte de ser semi-incrível.


DIRETO DA REDAÇÃO...
a Karina pensa que o vídeo a seguir tem tudo a ver com essa prosa!


Ciranda da Bailarina, de Chico Buarque & Edu Lobo, por Adriana Calcanhoto (2009)