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segunda-feira, julho 26, 2010

365 dias

Por Karina Lima
Era uma vez, em um reino muito distante, um cavaleiro audaz e muito intrépido, chamado Lórde @o_colecionador [há quem diga que no documento de identidade ele atendia pela alcunha de Fabio Pegrucci, mas há zil controvérsias a esse respeito].
O Lórde @o_colecionador era figura aclamada e notória em todo o majestoso reino de Twitterland. Ele cutucava todo tipo de onça real com varas curtas, proferia comentários mais azedos que limão, desafiava as autoridades dos reinos vizinhos, e fumava mais que uma chaminé workaholic – e com orgulho, muito orgulho. Durante as madrugadas, na solidão da torre em que vivia, ele escrevia para toda a população da região -- arrobos e arrobas de todas as idades e localidades, uma platéia de pelo menos 2.000 expectadores.

Um belo dia, em meio às conexões de bits e bytes diariamente feitas por essa figura real, o Lórde @o_colecionador teve a brilhante idéia de apresentar duas arrobas serelepes e fagueiras: @karilima e @vanessapinho, alegando que ambas possuíam traços comuns, e argumentando que elas fariam uma bela dupla escrevendo em um blog, onda moderninha que invadia as fronteiras do reino – pela boa indicação e por idealizar os primórdios dessa história, nós o promovemos a Editor da nossa trupe... e foi aí que surgiu o Mulherices! No calendário, a folhinha marcava o nobre dia 29 de Julho de 2009, data em que o texto ‘Nossas Preliminares: sejam bem-vindos!’ foi postado, falando sobre o propósito do tal do blog. Há quase um ano, vejam vocês...

Sem pestanejar, @karilima acreditou nas palavras do @o_colecionador, já que a farofada...oops, a estrogonófica população do reino quase o tinha como um oráculo, e o ouvia com grande atenção. A @vanessapinho, Princesa do Condado de Florianópolis, tornou-se num piscar de olhos uma grande amiga de @karilima: de excelente astral, ela era a comédia em forma de pessoa, viva, empolgada, saltitante. Ela detinha o costume de escrever crônicas sobre assuntos bem cotidianos, mas com um discurso especialíssimo: parecia mesmo uma conversa sincera, despretensiosa. Relacionamentos, filhos, visões, música... o que ela escrevia, virava hit: todo mundo se identificava e se via nessas tramas.

As mulheres do Mulherices já eram bem felizes, mas não contavam com um evento que mudaria em definitivo o rumo de suas histórias: a ‘chapa ficou quente’ quando a @karilima conheceu Stella Benevides, uma polêmica ambulante viciada em gatos, cigarros e whiskey – aliás, a trama desse memorável evento está publicada no texto ‘Prazer, Stella Benevides’. Vocês se lembram?

Com muito mais idade, escracho e experiência, a Rainha Stellinha tem encabeçado excelentes discussões e comentários com as postagens que escreve. Um texto dela sobre Elis Regina, por exemplo, rendeu comentários elogiosos até da Maria Rita! [Psiu, o texto é ‘Elis’]. Com Stella, o buraco é [muito] mais embaixo: os temas são políticos, de questionamento, de contraponto. Ela não está aqui pra agradar, sabe como é... estranheza chegou e parou: ela escreve com uma máquina de datilografar, ingere doses cavalares de álcool, não está nem aí pra modernidade. Balaio de gato? Pois é...

Em Abril desse ano, outra trombeta do apocalipse soou: a afável donzela @lilianbuzzetto chegou para assegurar que a desordem seria status freqüente no Mulherices. Por princípios fraternos, ela tem um [gigante] excedente de doideira, e o partilha com quem quiser, sem miguelagens. Assim como a Stella, ela não escreve sobre flores: não simpatiza com crianças, é aficionada por esportes, cola figurinhas em álbum da Copa e cultiva um mal humor congênito que, curiosamente, traz a todo mundo pra ainda mais perto dela – sabem um lance assim, meio mulher de malandro? A gente fica assim com a @lilianbuzzetto.

Em suma, somos desse jeito: nada a ver umas com as outras. E era exatamente o que buscávamos... que as diferenças enriquecessem [e quiçá tumultuassem] o contexto e a produção. De lá pra cá, cronistas de parafusos razoavelmente soltos escrevem sobre verdades inescapáveis, discussões sobre atualidades, pseudo-filosofia, assuntos mulherzinha, insights, mazelas, confidências: no nosso caldeirão, todo ingrediente literário é aceito de bom grado.

Nossas temáticas são aleatórias, de escolha livre das cronistas. Essa semana, eu falo sobre macarrão, semana que vem Lilian pode falar sobre Revolução Industrial, na outra a Vanessa pode abordar uma cena cotidiana, aquela que já envolveu você, um conhecido, uma conversa e um sorvete de casquinha. Bem por aí – o que costuma surpreender é exatamente isso: nunca se sabe o que está por vir nessas bandas!

Blogar talvez seja o melhor verbo para conjugar nesse balaio: para cada postagem que vai ao
ar, nos reunimos virtualmente para escolher fotos, tecer comentários, manejar o Twitter, definir divulgação, tumultuar, rir, discutir... dá pra imaginar o pandemônio que isso causa? O processo criativo do Mulherices para a publicação das pautas é a parte mais divertida nesse projeto tocado a várias mãos, prestes a completar 01 ano de vida, nosso motivo de muitíssimo orgulho, sim senhor. De olho na Matemática: são mais de 600 seguidores, 4000 acessos ao mês, inúmeras menções dos leitores e, o principal: um mundo de novos laços graças ao que teclamos, semanalmente. É pra ficar bem feliz, assim como já estamos. A vocês, nossa gratidão: vida longa, indeterminada e próspera ao Mulherices, já que seria demasiado clichê desejar o caminho para o ‘felizes para sempre’!

Você sabia?
  • Nesse período, homenageamos três grandes mulheres: Greta Garbo, Elis Regina e Zuzu Angel;
  • A crônica mais ‘barulhenta’ foi ‘Homem que é Homem’, da Lilian Buzzetto: um enxame de 50 comentários em míseras 24 horas;
  • Nosso texto mais comentado e famoso foi ‘Zuzu’, de Stella Benevides, com 99 menções -- o recente texto 'Elizas...', da Lilian, se aproxima muito dessa marca, com 96 comentários;
  • À exceção de @karilima e Stellinha, ninguém no Mulherices se conhece pessoalmente – é, um espanto, no mínimo;
  • Os acessos ao blog cresceram 100% no último semestre... e quase 400% em 01 ano!