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sexta-feira, janeiro 14, 2011

Encalhada

Por Stella Benevides

Amiguinhas do Mulherices!

Ano novo, vida nova! Que maravilha! Pena que São Paulo é a mesma. Como é o mesmo o seu inimigo mortal, São Pedro. E como é o mesmo o prefeitinho paspalhão, mais uma vez, igualzinho ao ano passado, tentando explicar os motivos pelos quais a cidade continua alagando.

Vejam vocês que fui até o supermercado, que fica logo ali, a poucos quarteirões de casa. Enquanto estava lá, caiu um toró dos infernos e o que era pra ser uma saidinha rápida, pra umas comprinhas básicas, acabou se tornando uma aventura aquática.

Eu até vi que a rua estava enchendo de água, mas, como estava de guarda-chuva – e também, como sou um pouco teimosa – resolvi tentar ir pra casa. Mas a água que estava nos meus tornozelos, em segundos chegou aos meus joelhos. E, antes que lhe molhasse a bunda, esta pacata senhora paulistana não teve outra escapatória a não ser escalar um carro estacionado e se sentar na capota. Agora estou aqui, debaixo do guarda-chuva, fumando, alegremente vendo passar boiando os sacos de lixo e escrevendo pra vocês num providencial bloquinho de papel que eu sempre levo na bolsa.

E ouvindo as gracinhas de uns idiotas no botequim do outro lado da rua:

- Aê, tia! Encalhou, né?

Claro que eles riem mais ainda quando eu lhes mostro o dedo médio em riste. Mas até que eu gostei das babaquices deles: me deram argumento pra falar de um dos assuntos com que as mulherzinhas mais me apoquentam desde que começaram a achar que eu entendo de tudo, só porque um dia aceitei escrever no tal do “blog”:

- Ai, Stellinha! Tô encalhada! O que eu faço?

Ô, que tédio.

Minha filha: antes de mais nada, você precisa ter certeza de que está mesmo em situação de encalhamento ou se é só fogo no rabo mesmo. Explico: quer mesmo um bofe pra chamar de seu só quer ter alguém ao lado pra parecer mais “respeitável” pra família e, principalmente, para as amigas? É, porque mulher tem disso: compram sapato, bolsa e roupa pra mostrar pras amigas. E homens às vezes também entram na sua seleção de aquisições.

Enquanto eu fico aqui, esperando que a água baixe ou que lindos e fortes bombeiros venham me resgatar de barco, eu posso rapidamente dizer a você que, uma vez que seu desejo de ter alguém de verdade em sua vida seja real e sincero, mas isso nunca acontece, é preciso investigar o que pode haver de errado com você.

Partindo do pressuposto de que você não é um tribufu bixiguento e com bigode, talvez você seja chata. É, com certeza, você é chata. Muitas mulheres hoje em dia são chatas, rudes, autoritárias. Levam pra vida social os mesmos cacoetes de suas vidas profissionais. No trabalho é bastante provável que você tenha que mandar em muita gente, inclusive em muitos homens, mas na vida amorosa o papo é outro. Homem detesta mulher seca. Se é pra ter estupidez como padrão, eles vão preferir sair com os amigos. Você tem que lembrar de que é uma meiga, desprotegida e doce mulher.

- Ô, tia! Quer que jogue uma bóia?

- Não, infeliz! Joga a tua mãe!

Muita mulher também encalha porque quer encontrar o tipo perfeito, um todo no jeito pra apresentar pra família e pra agradar a mãe. Mas não é sua mãe que está precisando de homem, ô ridícula. Sua mãe, bem ou mal, tem ou pelo menos já teve um, senão você não estaria aqui me perturbando as idéias com esses seus draminhas.

Tem umas ainda – conheço várias – que passam um tempão cismando com um sujeitinho específico, que nunca dá bola pra elas, mas elas insistem e esperam. Se é seu caso, entenda que esse sujeito provavelmente não quer nada com você ou vai ver é uma bichinha enrustida. Se é muito perfeitinho, a chance de ser viado é enorme. E você está careca de saber disso, não está?

Então: trate de dar chances aos outros. Pode ser aquele seu vizinho meio esquisito ou aquele sujeito que te olha com cara de tarado, todo dia, no metrô. Vai saber se um deles não é seu príncipe.

E pare de ser implicante. Se o mancebo se veste mal, usa um cabelo medonho ou tem um gosto horrível pra música, desperte a arquiteta que há em você: pegue e reforme! Se você for escolher um apartamento, não vai achar nenhum que já venha pintado, mobiliado e decorado do jeito que você gosta, né? Então, com homem às vezes também é assim. Eles não vêm prontos. E vamos combinar que você também não está com essa bola toda, né?

- Êh, tia! Qué que nóis leva uma cervejinha aí pra senhora?

- Quero! E usa essa cabeça de aeroporto como bandeja, ô pereba!

Sei que as mulheres andam “se achando” demais. Um dia desses, fui dar trela pra uma vizinha que eu mal conheço. E ela me fez conhecer todos os defeitos do marido dela. Ignorante, grosso, rabugento, indolente, dorminhoco, mentiroso, vagabundo e mais uns trinta adjetivos bacanas. Então, eu olhei bem pra ela e falei:

- É, ele é um traste. Vai ver foi por isso que ele não arrumou coisa melhor. Né?

Bom, ela nunca mais falou comigo. Mas acho que entendeu o recado.

- Ih, tia! Olha lá o helicóptero do Datena filmando a senhora!

Ah, não! Isso não! Assim já é demais! Dar audiência pra aquele gordo palhaço, não! Eu vou desencalhar daqui é já! Vou nadando.

Se este texto for publicado no Mulherices é porque eu não morri.

*  Stella Benevides, diretamente de uma enchente paulistana, especial para o Mulherices.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Algo Sobre as Mulheres do Século 21...

Por Fábio Pegrucci, cronista convidado Amanhece.

O despertador toca e eu pulo da cama, decidida e cheia de vigor. Escova de dentes, escova de cabelo, maquiagem, café, bolsa, rua! Sei muito bem quem sou e para onde vou. Óculos escuros, partida no carro. Sou forte, sou segura, sou bela e sou moderna! Independente e auto-suficiente – eu me basto! Tenho muita coisa na cabeça, muita coisa pra fazer, pouco tempo pra perder.

Nem me lembro de você – às vezes nem sei se você existe mesmo! Não me lembro do seu nome, nem do seu cheiro e nem da sua voz. A propósito, não me ligue, eu não tenho tempo! Tenho que trabalhar, o dia será cheio. Não me amole com seu sentimentalismo e nem me venha falar da sua carência. Eu tenho pressa. Eu tenho objetivo. Eu vou estudar, eu vou crescer, eu vou pra Europa! Dá licença, não me chame, não me interrompa e sobretudo não queira saber aonde estou: eu não estou nem aí pra você!

Telefone, agenda, compromisso, corre-corre. O chefe, o chefe do chefe e o chefe do chefe do chefe, todos me solicitando – e eu sou uma só! Que dia, que dia! Ainda bem que eu sei bem quem sou, o que quero e de nada sinto falta – ainda bem! Pausa para um chá, deixa eu respirar. Deixa eu suspirar... Deixa? Ai...

Ai, que estranho, me deu uma coisa... Uma coisa esquisita, uma saudade não-sei-de-quê! Não deve ser nada, só cansaço, só isso. Que bobagem, vai passar, vai passar... TPM, deve ser TPM ... mas já? Ai, que vontade de chorar! Que coisa estúpida, que besteira é essa? Não sei o que me deu, mas tô com vontade daquelas coisas que só você sabe me dar... Ai, me dá, me dá? Faz daquele jeito que me deixa que nem criança? Ai! Que bom que é! Você pode me abraçar e me mimar?

Eu quero, eu quero!

Quero que você brinque comigo, eu quero ser criança! Me leva na padaria e compra pra mim aqueles docinhos coloridos em forma de bichinho? Compra, compra?? Ai, cuida de mim que eu gosto... Pega um DVD de desenho e assiste comigo comendo pipoca? E se eu pegar no sono, você promete que me pega no colo e me leva pra cama, mesmo que eu não queira ir? Faz lanche pra mim, faz café da manhã? Compra chocolate, pirulito, jujuba? Ai, que delícia que é...

Quando eu estou saindo do banho, você pega uma toalha limpinha e coloca nas minhas costas, me embrulhando! Você nem olha pro meu corpo nessa hora, nem olha! Sabe? Eu nunca te falei, mas eu acho isso uma coisa tão linda... E quando eu estou com um chiclete na boca e não tenho onde cuspir, você coloca a sua mão em forma de concha, bem debaixo do meu queixo!

Ai, que bom que é estar nesse seu mundo! Poder ser menininha, usar camisolinha e pantufas, nada de gloss, de rímel, de scarpin! Poder fazer pirraça, dizer “não, não, não!”, se você quiser alguma coisa e “sim, sim, sim!”, se não quiser – só pra contrariar! Só porque é gostoso – e porque, de uma forma ou de outra, você vai olhar pra mim com aquele seu olhar amoroso e ligeiramente paternal, vai me segurar com aquelas mãos firmes de quem sempre sabe o que fazer, vai me tratar com aquela sua paciência oriental. E eu não preciso pensar em nada, porque você faz isso por mim. Eu aceito, me aninho no seu peito e, por um instante, até penso em te pedir desculpas pelo tanto que te faço sofrer... Mas nem isso eu preciso fazer, porque você já me desculpou antes que eu peça!

Ai, ai, ai ... Que saudade!
Onde está você? Por que não me manda um torpedo engraçado, porque não me escreve um e-mail cheio de palavras doces? Por que não me liga, por que?? Será que não percebe que agora eu fiquei com saudade? Como você pode ser tão insensível???

Ah! Se sacode, mulher! Para já com isso, tanta coisa pra fazer e você aí, viajando na maionese dessa fantasia boba! Não dá certo, não dá – isso não serve! Isso é tudo perda de tempo e o tempo é curto: tenho um relatório pra entregar, tenho que estudar para as provas – ai, as provas! Daqui a pouco tenho que pensar no TCC, ai que pavor!

Ainda bem que eu sou auto-suficiente! Ainda bem que eu não dependo de nada, de ninguém! Ainda bem que eu sou assim equilibrada, centrada, controlada, ainda bem! Minhas vontades eu controlo muito bem, ta? Você que nem ouse invadir meu pensamento com esse seu corpo de homem, com esses brações torneados, com essa barriguinha marcada... Hoje não! Hoje eu não quero! Não vou neeeeem lembrar dessas suas coxas peludas e dessas curvinhas nas suas costas, não vou! Muito menos vou me lembrar dessas suas mãos cheias de dedos me pegando e me apertando, dessa sua boca roçando minha nuca e dessa sua voz me falando aqueles absurdos no ouvido! Não, não e não ... não vou! Pode sumir do meu pensamento com essa sua língua quente e, sobretudo, leve pra bem longe daqui essa sua “coisa” dura porque hoje eu não quero!

Eu vivo muitíssimo bem sem isso, viu? Se digo que não preciso é porque não preciso e, a propósito, minha calcinha não está molhada, é apenas impressão!

Seu maldito!

Quando eu te pegar, vou te mostrar quem é quem! Sou muito mulher pra te jogar na cama e fazer do MEU jeito! Eu SEI fazer! Eu te seduzo, te amoleço, te desarmo e te mato de prazer! Te faço de objeto, uso esse seu corpo pra me satisfazer e pronto! Sexo é sexo e eu sou MULHER o bastante pra não perder o controle!

Eu te controlo! Eu te domino! Eu te escravizo!

Isso, isso, isso ... Isssso!Me bota de quatro, me pega, me segura, de DOMINA, porque é tudo o que eu mais quero!! Faz com força, me possui! Me faz tua fêmea, tua cadelinha! Me bate, me xinga, me humilha, mostra quem é que manda aqui! Porque quem manda aqui é VOCÊ, meu dono, meu rei, meu macho... e eu QUERO assim! Safado, cachorro, filho-da-puta! Eu gosto é ASSIM, e você sabe disso!

Ai, que droooooooga!!!

Olha o relatório, nem comecei! Ai, ai, ai ... Ta bom, passou! Lavo o rosto, mais um chá, um copo dágua!

Chocolate, chocolate, eu preciso de chocolate!! Quem pegou aquela trufa que estava na minha gaveta?? Ih, eu já comi?!

Pronto, pronto! Já passou, já passou!
Tenho que trabalhar. Olha o telefone tocando. Alô, pois não, um minutinho! Cadê minha agenda? A que horas mesmo é a reunião? Ah, que bom, estão reconhecendo meu valor por aqui! Vou me formar, me pós-graduar, que maravilha! Vou pra Europa, vou ganhar muito dinheiro, vou comprar um apartamento, um mooooonte de roupas, de bolsas, sapatos, uhú! Viva eu, viva eu! Não preciso de ninguém! Mas será mesmo que eu comi aquela trufa? No fim de semana ligo pras minhas amigas, vamos sair por aí e falar muita bobagem, principalmente vamos falar mal dos homens, todas elas falam, acho que vou falar também! Ah, que bom, que bom! Depois vai cada uma pra sua casa dormir sozinha e daí? Sou independente, auto-suficiente e super centrada! Sei muito bem o que quero e acho essa história toda de “amor” uma patetice que só atrasa a vida da gente, ta? Eu acho MESMO, ta? Não duvide!

Mas... sabe?
(Ih, quem é essa agora?)
É que de vez em quando ele fala sobre ter um projeto em comum, de ter uma casa com quintal gramado, uma piscina e um cachorro! Eu acho bonitinho às vezes. Só às vezes, mas acho... Será que a gente podia ter uma rede na varanda, pra namorar no fim da tarde? Será que podia ter jardim? Com rosas, será? E a gente podia convidar nossos amigos pra comer pizza e jogar buraco no sábado à noite?? E aí, depois que eles fossem embora, a gente namorava um pouco, dormia junto, abraçado, que gostoso! Assim, esposa, marido... Com aliança no dedo e tudo!

Nossa casa, nossas coisas, tudo nosso!

Um dia a gente teria um bebê! Sim, um bebê. Tanto faz se menino ou menina, tanto faz... Ele quer, não é lindo??? Quer ter um bebê comigo! Geeente! Já pensou, eu GRÁVIDA, quanto esse homem vai me mimar??? Há há há! E ele pede pra eu só IMAGINAR o QUANTO ele vai amar um filho meu... Ai, que lindo... Ai, que vontade de chorar...

Ele gosta de uns nomes “clássicos”, assim tipo “Francisco” e “Beatriz”, “Tomás” e “Clara”... Ah! Eu não gosto, não quero colocar nome de velho no meu filho! Tá vendo, a gente não dá certo, não dá, não tem jeito!!

Ainda bem que eu não to nem aí pra isso! Eu sei MUITO bem o que quero, sou independente, auto-suficiente e suuuuuper equilibrada! Olha o telefone tocando de novo!! Cadê minha agenda? Ih, esqueci a hora da reunião! Eu tenho certeza de que não comi aquela trufa, não comi!
Meu Deeeeus, ainda não são nem onze horas??? Minha analista, eu preciso ligar AGORA pra minha analista!!






Mais de Fábio Pegrucci no blog O Colecionador de Histórias



quarta-feira, julho 29, 2009

Nossas Preliminares: sejam bem-vindos!

Por Karina Lima

Por aqui, vamos falar sobre mulheres.

Sim, sim: exclusivamente sobre elas. Aquelas que acordam diariamente com gana de conquistar o mundo, ou pelo menos de dominar a própria cabeleira rebelde, anárquica e com frizz. As que possuem fases e facetas, assim como a Lua. Que procuram a cara-metade loucamente, sonhando com o felizes para sempre, e com o beijo ao som de uma linda canção, em plena chuva fina, ao final das histórias. As que acham os pretendentes engomadinhos um profundo e encorpado porre. Aquelas mesmo, as mulheres. As que jogam o cabelo para flertar e seduzir, e que se fingem de desentendidas quando são (uhu!) correspondidas. As que mantém, como padrão, cabeça nas nuvens e coração palpitando.

Mulheres são seres únicos.
Elas não se envergonham ao chorar por amor, vestem a capa de super-heroínas ao nascer do sol, são meninas, mulheres, mães, amigas, profissionais. Heroínas de bico fino, salto alto, meia-calça, saia lápis. Um universo infinito de feminilidade, charme, perfume, instinto, fragilidade. Elas se entregam: a um ou, quiçá, a vários sortudos. Elas são portadoras do milagre da vida, e são capazes de morrer por suas crias. São donas de apurado sexto sentido. Algumas têm um gênio do cão, mostrando-se voláteis e de alta periculosidade se afrontadas. Ah, essas mulheres...

Mulheres são esquisitinhas.

Elas procuram nuvens nos dias de sol, e também sarna para coçar. Elas adoram estar no comando, além de ser, ao mesmo tempo, contrariadas. Elas não se contentam com os problemas reais, e por isso se aterrorizam com suas catástrofes imaginárias. Elas rivalizam com jogadores de futebol e cerveja. Bebem até dar vexame com o celular graças à agenda telefônica e aos amores-mal resolvidos do passado. Elas começam dietas às segundas, e cessam esse sacrifício após avistar a primeira trufa calórica e apocalíptica, ou o bom e velho pote de Nutella: uma verdadeira mistura de avelã com o 'inominável'.

Elas são surrealmente labirínticas e diferentes, a exemplo de nós mesmas - Stella, Vanessa e eu (nossos perfis comprovam isso, à direita da tela). Orbitamos por cenários bem distintos e, por falar em órbita, arrisco já que a Stella não pertence a esse planeta, ou talvez à nossa galáxia. Vanessa concorda comigo, aposto uma nota de R$10 que sim.

Não há jeito, não: só essas criaturas raras possuem o poder para colecionar tantas MULHERICES. Morrendo de ansiedade, matando um leão ao dia, chorando em bicas, encaixando quadris em calças jeans, delirando com comédias românticas, rindo de si mesmas e dos outros, alçando grandes vôos e feitos... toda mulher é um portal para uma dimensão encantadoramente louca e interessante, decerto que sim.

Há quem diga - fique cá entre nós – que elas são meio malucas.
 
Aproveitem as nossas viagens e, independente da gravidade dos dramas femininos que por aqui passarem, mantenham seus cintos afivelados!