Amiguinhas do Mulherices!
Ano novo, vida nova! Que maravilha! Pena que São Paulo é a mesma. Como é o mesmo o seu inimigo mortal, São Pedro. E como é o mesmo o prefeitinho paspalhão, mais uma vez, igualzinho ao ano passado, tentando explicar os motivos pelos quais a cidade continua alagando.
Vejam vocês que fui até o supermercado, que fica logo ali, a poucos quarteirões de casa. Enquanto estava lá, caiu um toró dos infernos e o que era pra ser uma saidinha rápida, pra umas comprinhas básicas, acabou se tornando uma aventura aquática.
Eu até vi que a rua estava enchendo de água, mas, como estava de guarda-chuva – e também, como sou um pouco teimosa – resolvi tentar ir pra casa. Mas a água que estava nos meus tornozelos, em segundos chegou aos meus joelhos. E, antes que lhe molhasse a bunda, esta pacata senhora paulistana não teve outra escapatória a não ser escalar um carro estacionado e se sentar na capota. Agora estou aqui, debaixo do guarda-chuva, fumando, alegremente vendo passar boiando os sacos de lixo e escrevendo pra vocês num providencial bloquinho de papel que eu sempre levo na bolsa.
E ouvindo as gracinhas de uns idiotas no botequim do outro lado da rua:
- Aê, tia! Encalhou, né?
Claro que eles riem mais ainda quando eu lhes mostro o dedo médio em riste. Mas até que eu gostei das babaquices deles: me deram argumento pra falar de um dos assuntos com que as mulherzinhas mais me apoquentam desde que começaram a achar que eu entendo de tudo, só porque um dia aceitei escrever no tal do “blog”:
- Ai, Stellinha! Tô encalhada! O que eu faço?
Ô, que tédio.
Minha filha: antes de mais nada, você precisa ter certeza de que está mesmo em situação de encalhamento ou se é só fogo no rabo mesmo. Explico: quer mesmo um bofe pra chamar de seu só quer ter alguém ao lado pra parecer mais “respeitável” pra família e, principalmente, para as amigas? É, porque mulher tem disso: compram sapato, bolsa e roupa pra mostrar pras amigas. E homens às vezes também entram na sua seleção de aquisições.
Enquanto eu fico aqui, esperando que a água baixe ou que lindos e fortes bombeiros venham me resgatar de barco, eu posso rapidamente dizer a você que, uma vez que seu desejo de ter alguém de verdade em sua vida seja real e sincero, mas isso nunca acontece, é preciso investigar o que pode haver de errado com você.
Partindo do pressuposto de que você não é um tribufu bixiguento e com bigode, talvez você seja chata. É, com certeza, você é chata. Muitas mulheres hoje em dia são chatas, rudes, autoritárias. Levam pra vida social os mesmos cacoetes de suas vidas profissionais. No trabalho é bastante provável que você tenha que mandar em muita gente, inclusive em muitos homens, mas na vida amorosa o papo é outro. Homem detesta mulher seca. Se é pra ter estupidez como padrão, eles vão preferir sair com os amigos. Você tem que lembrar de que é uma meiga, desprotegida e doce mulher.
- Ô, tia! Quer que jogue uma bóia?
- Não, infeliz! Joga a tua mãe!
Muita mulher também encalha porque quer encontrar o tipo perfeito, um todo no jeito pra apresentar pra família e pra agradar a mãe. Mas não é sua mãe que está precisando de homem, ô ridícula. Sua mãe, bem ou mal, tem ou pelo menos já teve um, senão você não estaria aqui me perturbando as idéias com esses seus draminhas.
Tem umas ainda – conheço várias – que passam um tempão cismando com um sujeitinho específico, que nunca dá bola pra elas, mas elas insistem e esperam. Se é seu caso, entenda que esse sujeito provavelmente não quer nada com você ou vai ver é uma bichinha enrustida. Se é muito perfeitinho, a chance de ser viado é enorme. E você está careca de saber disso, não está?
Então: trate de dar chances aos outros. Pode ser aquele seu vizinho meio esquisito ou aquele sujeito que te olha com cara de tarado, todo dia, no metrô. Vai saber se um deles não é seu príncipe.
E pare de ser implicante. Se o mancebo se veste mal, usa um cabelo medonho ou tem um gosto horrível pra música, desperte a arquiteta que há em você: pegue e reforme! Se você for escolher um apartamento, não vai achar nenhum que já venha pintado, mobiliado e decorado do jeito que você gosta, né? Então, com homem às vezes também é assim. Eles não vêm prontos. E vamos combinar que você também não está com essa bola toda, né?
- Êh, tia! Qué que nóis leva uma cervejinha aí pra senhora?
- Quero! E usa essa cabeça de aeroporto como bandeja, ô pereba!
Sei que as mulheres andam “se achando” demais. Um dia desses, fui dar trela pra uma vizinha que eu mal conheço. E ela me fez conhecer todos os defeitos do marido dela. Ignorante, grosso, rabugento, indolente, dorminhoco, mentiroso, vagabundo e mais uns trinta adjetivos bacanas. Então, eu olhei bem pra ela e falei:
- É, ele é um traste. Vai ver foi por isso que ele não arrumou coisa melhor. Né?
Bom, ela nunca mais falou comigo. Mas acho que entendeu o recado.
- Ih, tia! Olha lá o helicóptero do Datena filmando a senhora!
Ah, não! Isso não! Assim já é demais! Dar audiência pra aquele gordo palhaço, não! Eu vou desencalhar daqui é já! Vou nadando.
Se este texto for publicado no Mulherices é porque eu não morri.

