Por Stella Benevides
Amiguinhas do Mulherices!
Como vocês estão mais do que cansadas de saber, a Tia Stella não é do tipo que se preocupa muito com a opinião alheia. Também não costumo ficar muito feliz quando aparece alguém querendo se meter na minha vida ou achar que pode reprovar algo que eu faça ou pense. Aliás, como vocês também já sabem, eu costumo mandar intrometidos pro meio dos infernos, sem qualquer cerimônia e sem culpa nenhuma. Já passei faz muito tempo da idade de me importar com o que os outros pensam, não devo nada a ninguém e ninguém paga minhas contas. Crio meus gatos, cuido dos cachorros da rua, tomo meu uísque, fumo meu cigarro. Tudo problema meu.
Da mesma forma, também não costumo me interessar muito pela vida alheia. Cada um que saiba de si. Pelo menos até que se interfira na minha vida ou que me pisem em algum calo.
Pois é.
Aqui, bem ao lado do meu prédio, num casarão caindo aos pedaços, que não vê uma mão de tinta há uns vinte anos, mora uma família. É uma família moderna, dessas que só tem mulher e criança. Vocês sabem, né? Mãe, duas filhas, as duas com vinte anos no máximo, cada uma com um filho. Uma delas de barrigão, esperando o segundo. Nenhum pai ou marido.
Eu talvez nem notasse essas pessoas se lá não saísse tanta briga e gritaria, dessas que não tem como a vizinhança ignorar. E os showzinhos não têm hora certa pra acontecer, não. Pode ser de manhã, à ta
rde, no meio da madrugada. Quebra pau de mãe com filha, de irmã com irmã, com direito a xingamento de palavrão pra todo mundo ouvir. Briga de mãe com criança, de criança com criança. E outras, envolvendo uns namorados estranhos mal encarados. Mas esses não são sempre os mesmos. Aparentemente são trocados por outros uma vez por mês, mais ou menos.
rde, no meio da madrugada. Quebra pau de mãe com filha, de irmã com irmã, com direito a xingamento de palavrão pra todo mundo ouvir. Briga de mãe com criança, de criança com criança. E outras, envolvendo uns namorados estranhos mal encarados. Mas esses não são sempre os mesmos. Aparentemente são trocados por outros uma vez por mês, mais ou menos.Ah! Mas isso é tão normal atualmente, né? É até meio difícil encontrar família com pai! E ser mãe solteira é tão bacana, né? Todo mundo acha, ninguém mais se espanta. Até comercial de margarina, desses que sempre mostraram famílias felizes tomando café da manhã, agora têm famílias só de mãe e filhos, né?
E na novela então? A moça que já tem uma filha sem pai teve outro bebê! E desse, nem ela mesma sabe quem é o pai. Está todo mundo esperando o último capítulo pra saber. Super legal, né? Ah! E ser mãe solteira é tão fácil e bacana, que ela arrumou até um velhote argentino trouxa que quer de todo jeito ser o pai dos DOIS filhos dela. Ó, que lindo?
As pessoas até enaltecem, dizem que são mulheres “guerreiras”, que fazem papel de pai e mãe, que conquistaram um espaço, que são o orgulho da espécie feminina!
Eu concordo que muitas até são mesmo.
Mas o que eu não engulo de forma alguma é esse “elogio à mãe-solteirice”, como se a figura do pai tivesse passado a ser um acessório dispensável, sem importância nenhuma e, a
lgumas vezes, até indesejável.
lgumas vezes, até indesejável.E essa, como tantas outras, é mais uma dessas idéias moderninhas que vão entrando nas cabecinhas das pessoas, tanto homens quanto mulheres, até que todos se convençam de que é mesmo assim. É assim e pronto. E quem não concordar é burro, é antigo ou é preconceituoso.
Esse mundo anda pra trás, achando que anda pra frente.
Pai é sempre pai.
Na maioria das espécies animais, inclusive na nossa, o pai sempre foi, é e será pra sempre o protetor. Foi assim desde antes de a gente descer das árvores e ocupar as cavernas. Eu não acredito em família sem pai. E qualquer mulher, por mais “guerreira” (ô, palavrinha idiota!) que seja, sempre será um falso-pai. Um pai pela metade.
E tem uma coisa que você JAMAIS ouvirá da boca desse povinho “politicamente correto” e nem verá nas novelas: é que uma família de mãe solteira tem MUITO mais chance de gerar uma OUTRA família de mãe solteira!
E isso é tão lógico. E é tão fácil de entender!
Família sem pai, vagabundo não respeita.
E aí crescem essas meninas meio largadinhas e sem limites. Uns meninos sem referência masculina que preste. Todos sem saber direito o que significa autoridade. Eu, pelo menos, sou do tempo em que a mãe da gente, quando queria deixar a gente com medo, dizia: “Oooolha! Eu vou contar pro seu pai!”. Porque mãe é mãe. Autoridade é coisa de pai.
E aí, se você junta esse panorama familiar todo bagunçado com falta de grana, já sabe onde a coisa vai dar, né? Olha em volta, que beleza que a sociedade está!
E não me venham com esse blábláblá de que criminalidade, prostituição, pedofilia e meninas ficando grávidas cada vez mais cedo é culpa da “exclusão social”, da “falta de oportunidade” ou da omissão do governo. E que o remédio é fazer projeto social, quadra de esporte e lan house na favela. Isso aí é papo furado que só serve pra político demagogo ganhar voto, pra Regina Casé inventar mais um quadro idiota pro Fantástico e pra ONG picareta arrancar dinheiro do governo.
Mas ... como sempre ... SEMPRE tem uns e outros bem interessados nessas mudanças no jeito de as pessoas viverem. E tem mesmo, muita gente, mesmo que não confesse, que lucra muito com as famílias cada vez mais esfaceladas ... ô, se tem! São as mesmas pessoas que também tentam desmoralizar, de tudo quanto é jeito, a autoridade das religiões. Será que você percebe? Ou sou eu que vejo coisas? Mas isso é assunto pra outro papo da Tia Stella. Hoje não, outro dia.
Mas eu falei lá em cima que não me meto na vida das pessoas. Não me meto mesmo. Cada um que cuide de si. Mesmo assim, eu tenho uma coisinha pra dizer pras mocinhas espevitadas.
Meninas, vocês querem dar? Dêem! Dêem muito! Dêem pra quem vocês quiserem. O quanto quiserem. De preferência, dêem bem dado. A periquita é de vocês, ninguém tem nada a ver com isso. Mas, puta que pariu, TOMEM PÍLULA, suas antas! Não têm dinheiro pra comprar? Peguem de graça no posto de saúde! Só não botem criança nessa porra de mundo, pra ficarem por aí, largados e virarem mais gente desmiolada feito vocês! Não fiquem achando que a vida é novela e que é muito lindo e facinho criar sozinha o seu pimpolho.
Criança não é pra fazer experiência.
Criança precisa de mãe e precisa de pai.
E família sem pai é igual a uma bicicleta de uma roda só.
E sem freio.


