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sexta-feira, setembro 18, 2009

Sílvio

por Stella Benevides


Como contei há algumas semanas, fui convencida pela Karina a escrever pro tal do “blog”, dela e da coleguinha dela, a Vanessa, de Florianópolis. E não é que elas gostaram? E não é que elas juraram que mais um monte de gente gostou? Vieram me contar que não-sei-quantas pessoas tinham lido, comentado e blábláblá.

Eu não acredito.

Duvido que nesse mundo besta de hoje, com as pessoas presas nas suas redomas de bom comportamento, alguém aplauda gente como eu. Que fuma, bebe e fala palavrão. Que gosta mais de gato que de gente. Que não tem a menor paciência com crianças e que não acha nenhuma graça em velhinhos fofos. E, pior que tudo, não está nem aí para o que acham disso Foda-se. Não estou nem aí mesmo.

Mas eu achei divertida a brincadeira de escrever. Tanto que hoje saí pra comprar uma fita nova para minha Remington. As meninas me disseram que as pessoas nem sabem mais o que é uma máquina de escrever. Fodam-se as pessoas. É com ela que eu vou continuar escrevendo.

O problema é que eu entrei em umas dez papelarias e em nenhuma encontrei o que precisava. Em uma delas ainda tive que agüentar piadinha de um balconista, um moleque seboso, de cabelo espetado.

- Já procurou no Museu do Ipiranga, tia?

Pensei muito e decidi não reproduzir aqui o que eu respondi a ele. Sei lá, a mãe da Karina pode ler e brigar com ela. Ou os filhos da Vanessa, quem sabe. Mas acredito que os leitores do tal do “blog”, se é que eles existem, têm imaginação suficiente para supor o que eu disse.

Voltei pra casa sem minha fita e com os pés doendo. Estava louca por um banho e um uísque. Não necessariamente nessa ordem. Mas, na porta do prédio, encontrei Sílvio, que estava desaparecido há três dias.

De todos os meus felinos-filhos, Sílvio é o que me da mais trabalho. Desisti há tempos de tentar prendê-lo em casa. Telas, grades, nada resolve. Se for preciso, ele é capaz de sair pelo buraco da fechadura.

Um dia desses, a vizinha gorda do andar debaixo sugeriu que eu levasse Sílvio para ser castrado, que isso resolveria o problema. E eu, docemente, sugeri que ela cortasse as coisas do marido dela, posto que ele certamente já não as usava há muito tempo, pelo menos não com ela. Acho que ela não gostou muito da idéia, porque nunca mais falou comigo.

Silvio estava magro e todo estropiado, resultado de suas peripécias pelos inferninhos felinos. Peguei-o no colo, levei-o pra casa para tratar dele.

Quando me perguntam se o nome é homenagem ao Sílvio Santos, eu digo que sim, pra não complicar. Mas o nome completo do meu Sílvio é Sílvio Berlusconi! Sim, uma homenagem àquele exemplar remanescente do tempo que homem era homem. Rico, poderoso e fanfarrão. Sempre dando uma banana pros bons modos e chutando o protocolo. ADORO quando ele apronta uma daquelas, que os engomadinhos efeminados do mundo classificam como “gafe”! Gafe uma pinóia, ele faz é de propósito mesmo, eu percebo!

Se o governo dele presta ou não presta eu não sei, isso é problema dos italianos. Mas o que eu, definitivamente, acho o FIM, é ficarem patrulhando o cara para tentar derrubá-lo por aquilo que ele faz na vida privada. Igual fizeram com o Bill Clinton, que teve que se humilhar, com seu charutinho murcho em público e se ajoelhar diante do vestido manchado da estagiária gorducha. Porra de presidente! Literalmente.

Mas Berlusconi não vai se curvar, não. Vai continuar sendo o rei da Itália, da televisão de lá, do Milan e das putas. Tem mão de ferro. E pelo jeito, não só a mão. Os puritanos daqui, como os de lá, podem achar um horror, mas eu prefiro políticos assim a esses velhos borocochôs de Brasília, que não comem ninguém e descontam metendo na bunda do povo!

Haha!
E o povo deve gostar.
Por isso vota neles.

Brasileiro é um povinho besta.