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sexta-feira, setembro 04, 2009

Os opostos [não] se atraem

por Vanessa Pinho
Barco furado: essa é a expressão que define melhor a frase “os opostos se atraem”.

Na teoria, até que é fofo dizer que “aah, nós somos diferentes, por isso nos completamos”. Mas na prática isso dá um bocado de trabalho e algumas noites de sono perdidas. Olheiras? É tão legal ter...

Você conhece o cara, sabe? E acha o máximo aquele jeitão meio despojado que ele tem. Ele bebe e reclama que tem que acordar cedo. E você acha isso tão bonitinho, afinal ele só tem 24 anos, que amor.

Ele mora longe. Deve ser legal saber o que acontece lá no fim do mundo. Ele ODEIA aquela comidinha japonesa que você a-d-o-r-a! Mas e daí? Quando sentir vontade de um sashimizinho, convida uma amiga e vai.

“O legal do nosso relacionamento é isso, sabe? Essa diferença... Estamos nos conhecendo e eu tô tão feliz. Nos completamos. Incrível, né?”

E a vida segue, e ela segue, e ela continua seguindo... e você começa a achar um saco ter que aturar aqueles amigos dele, todos suados, falando abobrinhas na sua sala de jantar. E você começa a não achar mais graça em ir assistir Madagascar, e todos esses lançamentos bobos que ele adora. No inicio você fingia que gostava, eu sei, mas a ficha vai caindo, colega. Sua idade mental vai bloqueando certas coisas, um inferno.

Ir almoçar com a família dele, aos domingos, lá na PQP? Nem morta. Porque você já não agüenta mais ouvir a mãe dele dizer que você precisa ter paciência... que ele é assim mesmo... que ele é um filho querido e que você teve uma baita sorte em encontrá-lo.

E aí você sente aquela sensação de game over. E é nesse momento que aparece uma mãozinha, bate nas suas costas, e diz: ok, tudo muito bom, tudo muito divertido, mas está na hora de voltar pro corpo.
Somos seres curiosos e queremos sempre saber como é viver no mundo do outro. E é aí que a merda ta feita. Porque você entra no barco furado, aquele, que eu tinha dito lá no início, e depois não consegue voltar.

Eu adoro conhecer coisas novas, lugares novos, opiniões diferentes da minha. Mas isso em uma roda de amigos, certo? No dia a dia isso se torna tão impossível quanto manter sua unha e sua chapinha perfeita por três dias.

Eu namorei contra o Edu durante cinco anos, até que cansei total dessa coisa de fazer de conta... Eu tentei suportar o futebol na televisão, o futebol de sexta à noite e tentei, mais que tudo nessa vida, suportar o retardado do amigo dele, o Marcelo. Quero que o Marcelo se case e tenha oito filhos bem chatos, que ocupem todo tempo dele.

Quero que todos os amigos do futebol de sexta feira se lasquem, igual ao Flamengo. Cansei de namorar Dado Dolabella e tentar transformá-lo em Roberto Justus. Não funciona gente, vai por mim. Quero alguém que não saiba o que é “impedimento” e que não tenha a mínima idéia do que seja “tiro de meta”.

[Preciso dar a janta pro meu filho, já volto. Peraíí!!]
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... então, acho que essa coisa de ficar com o oposto, só funciona mesmo por um tempo. Depois você começa a ter crises, uma seguida da outra, cada vez que você pensa naquela camisa de time de futebol que ele não tira pra nada, por exemplo. Aquela, que ele estava usando quando vocês se conheceram e que você até achou engraçadinha e até pensou em virar flamenguista, lembra? Agora, você quer mais é que ela caia dentro de um balde de Kiboa. Sei bem como é.

Eu ando querendo encontrar alguém assim, como eu. Dizem que Deus não erra duas vezes, então, pelo menos alguém parecido. Dá pra ser? Não, não tô falando de alma gêmea... Alma gêmea, pra mim, é coisa de Vale a Pena Ver de Novo da Globo.

Longe de mim ter alguém que assine tudo que eu digo. Que concorde que meu cabelo é legal e que sou uma pessoa tranqüila. Até porque, se isso acontecer, ele será duas coisas: mentiroso e bobalhão.

Ele não precisa ir ao shopping comigo em dia de liquidação e achar isso o máximo. Mas também não precisa fazer aquela cara de cemitério maldito cada vez que eu pensar em provar alguma coisa. Ele só precisa estar na mesma sintonia, seguir a mesma direção, ainda que os caminhos, muitas vezes, sejam diferentes.