Nasci nos anos 2000.Minha infância foi a época das grandes descobertas, da globalização. Era tanta gente num espaço só, que eu me sentia pequenininha e, ao mesmo tempo, grande o suficiente para encher toda uma sala de entretenimento: muita música, muitas peças representadas, informações de todo o mundo ao meu redor. Muitos sonhos, muita expectativa. Eu era a esperança: eu era a Era. Os anos 2000 foram um sucesso só.
Os anos 90 formaram a descoberta de mim mesma. Quem sou eu? A adolescente não sabia bem se era anos 2000 ou anos 80. A tecnologia crescia disparada, e o meu corpo também. A democracia dentro de casa era algo que começava a despontar e eu passei a descobrir um quê-de-eu.
Meus anos 80 foram uma armação ilimitada. Ah, que delícia: cheia de meninice, e com ela, todos os seus brinquedos maravilhosos, que marcaram boa parte de minha vida. Um pouco de Material Girl e um resquício de Diana. Eu já me desenhava nas telinhas, cheia de cores e movimento.

Os anos 70: os anos 70! Eles talvez tenham sido os melhores da minha vida. Eu era. Paz e amor, flores contra canhões. Época de muito amor e muita música também. A disco entrou na minha vida definitivamente para incorporar meu espírito. Eu fui transformação. Cabelos pintados, com bob´s, polainas, glitter, batom vermelho. Tudo era festa - eu era a liberdade de expressão: mente e corpo.
Logo entrei na década de 60 e o ideal de busca pela liberdade tomou conta de mim por inteira. Eu era uma explosão de juventude feminina, calçada de sapatos altos e calças cigarettes, sem esquecer, contudo, da querida minissaia. Trabalhando fora e cuidando da casa, enquanto a Jovem Guarda toca no meu radinho de bolinha. Dominando o mundo e lutando por espaço numa ditadura militar. Uma pimenta ainda retrô. Sim, eu sou nouvelle vague pura!
Meus anos 50 que aguardo ansiosamente. Quero a televisão - e Hollywood também quer! Eu quero a Juventude Transviada num Bonde chamado Desejo. A ficção científica relata cada episódio de vida. Assim, vejo adiante o futuro - os meus queridos anos 50 – cheio de sofisticação, elegância e glamour. Sputnik será lançado, sem volta.
Cada década por vir.
Cada década por vir.

Mais de Sarah Rosingoli no blog "Café lá em Casa"

