tivesse um bicho carpinteiro dançando coisas dentro de mim. Mas essa montanha russa às vezes enjoa. Enjoa mais do que o Galvão Bueno e mais do que o Faustão. Mais do que Galvão e Faustão juntos em um domingo frio e chuvoso de inverno. (haja Dramin!)E a vida segue assim, nessa corda bamba... Nessa loucura de sentimentos e acontecimentos instantâneos, bons e ruins. Mas alguma coisa fez com que eu aprendesse a lidar com isso... E hoje sei que certas coisas terminam, porque outras precisam começar.
É o tal do CICLO NATURAL DAS COISAS.
“Ciclo é representado por uma série de eventos ou fenômenos que se repetem sucessivamente, ou seja, retornam pela mesma via de onde iniciaram.” [Aurélio]
A vida é feita de fases, cheia de altos e baixos, é assim pra todo mundo. E foi com mudanças, com altos e baixos (mais baixos do que altos) que aprendi coisas que não teria aprendido se tudo tivesse dado super certo. Aprendi o quanto é bom ficar sozinha em casa, comigo, de camiseta e meias ridículas, enquanto o mundo lá fora se diverte ao som de um DJ muito famoso com cabelinho revirado e nome estranho.
Mas aí eu enjôo disso também. E combino com as amigas de sair à noite. E bebo vinho, e danço, e acho o DJ o máximo, e prometo que vou virar uma pessoa baladeira. Podem me convidar, eu vou!E aí olho pro lado e enjôo de tudo aquilo. Enjôo daquele monte de gente desconhecida simulando felicidades e conferindo o batom de cinco em cinco minutos no espelho, e enjôo daquele idiota me olhando com cara de “Ô, claro que te pegava”.
E aí puxo papo com o cara mais legal do ambiente, só pra mostrar pro debilóide que não estou sozinha. E o cara até que é legal, e até que é normal, mas ele nem chegou ao bar pra pegar uma Skol por R$ 6.00 reais e eu já estou enjoada dele e com preguiça de todas as festas que ele já me convidou pra ir antes mesmo de saber meu nome. Porque ele sua demais, fala demais, e se esforça demais pra parecer tranqüilo.
Ele fala com as mãos sobre coisas que eu não quero saber naquele momento e cumprimenta amigos que atendem pelos nomes de: Cadeira, Siri, Minhoca e Pepê. Eu preciso descansar desse menino.
E aí comento que preciso acordar cedo pra assistir ao Telecurso 2010 e que não posso perder A hora do Brasil na rádio, na esperança de que ele me ache louca e debilóide. Mas ele puxa uma cadeira e diz “Nouussa, que inteligentinha” e eu desisto de tentar parecer estranha.
E mesmo tendo uma vontade súbita de bater o martelo, e fazer coisas estranhas, e mesmo quando tudo dá errado, e mesmo quando parece que o universo conspira pra que eu me F%$#@ bonito, e mesmo que blá blá blá, o ciclo, aquele, natural das coisas, me coloca frente a frente com o meu caminho. E nesse novo caminho, encontro pessoas que modificam minha vida e ensinam coisas que jamais aprenderia sozinha. E para que certas pessoas se encontrem, o mundo precisa girar.
E sinto medo de enjoar de mim, e acordar amanhã, sei lá, querendo pintar meu cabelo de loiro volume 80 ou virar cupim de igreja, daquelas fanáticas que acordam as sete de um domingo frio e usam perfumes doces.
Sim, medo. Porque as coisas mudam, o mundo gira e estou sempre girando junto com ele. E acabo concordando com minha mãe quando ela me olha e diz “tu não existe”.
