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sexta-feira, julho 31, 2009

Quanto riso, quanta alegria... mais de mil palhaços no salão!

Por Vanessa Pinho

Estava em casa, pés enterrados em pantufas enormes. O telefone toca: era Maurinho. Um carinha meio, meio... um carinha meio sem opiniões pra ele no momento -- sabe quando a pessoa não te desperta nenhum tipo de impressão? Pois é. Ele era chato, essa era a única lembrança que tinha dele. Estudamos juntos no colégio e Maurinho era aquele tipo de palhaço que falava mal de todas as meninas com quem que ele NUNCA conseguiria ficar, por motivos bem óbvios. Mas o bravo Maurinho é meu amigo de Orkut. Sim, porque é para isso que o Orkut serve - para desenterrar esses seres com QI de ameba que não vemos mais nessa dura vida.
No entanto, quem diria: naquela noite fria e estranha, o poróprio ligou me convidando pra ir a uma festa muito massa de uma amiga, e eu pensei que ele, depois de tanto tempo, poderia assim, quem sabe, em um surto ou síncope, ter mudado um pouco e ter se tornado um cara engraçadinho. Confesso que estava querendo muito sair naquele dia - era sábado e eu não estava a fim de encarar Serginho Groisman até altas horas. No mais, eu tinha comprado um scarpin novo, azul marinho, e estava querendo muito me “aparecer” com ele.
Maurinho estava em seu dia de sorte - ei, por que raios estou falando igual ao cara do Linha Direta? Enfim...

Combinamos que ele passaria pra me buscar perto das onze e nesse horário eu estava pronta, linda, loira e lisa. Estava chovendo e eu esperava que, ao menos, aquele ser circense me buscasse em casa. Mas não, ele ligou dizendo que estava me esperando no fim da rua. E agora? Como iria colocar meus sapatos novos nessa chuva? E meu cabelo? Minha maquiagem? Desci a rua incorporada na She-ha, já pensando baixo: 'escuta aqui seu idiota, você por acaso sabe o quanto custou esse sapato? Sabe o que significa maquiagem borrada e cabelo molhado pra uma mulher no sábado à noite? Não, você não sabe, porque você é um palhaço, e palhaços como você...hm'.
Cheguei ao carro, e dei de cara com uma platéia dentro - claro, porque palhaço esperto anda sempre com o público junto, para assim garantir os aplausos. Frente a isso, guardei minha espada justiceira e fui obrigada a dar um suave e tranqüilo 'Oiiii, gentiiiii!'.

O carro do Maurinho era daqueles modelos enormes o suficiente pra caber o ego dele e todos aqueles eletrônicos que só um idiota põe em seu carro. A música variava entre aquela que diz 'Fada, Fada Querida' e uns pagodes do momento. E eu já estava começando a sentir saudade, mas muita saudade mesmo do Serginho...


Chegamos à festa. Era um ambiente enorme, cheio de carros enormes estacionados. Uma luz vermelha vinha lá de dentro quase que imitando um inferninho e, lá fora, uns garotos de cabelos revirados de propósito (sabe o Fresno?) se divertiam ao som que vinha de um dos carros enormes e escuros, igualzinho àquele que matou a protagonista da novela “A Próxima Vítima”. Medo. Se aquilo não era o inferno, era a sala de espera dele.
Maurinho me apresentou uns amigos com codinomes estranhos que já tinham bebido muito, dando mesmo a impressão de que a festa estava no fim. Aqueles seres pareciam ter bebido álcool direto da bomba do posto. Meninas dançavam se contorcendo como se estivessem em aulas de alongamento, e vestiam roupas tão justas que pareciam estar embaladas a vácuo. Elas se divertiam batendo fotos de si mesmas em celulares rosas ou vermelhos com pingentes de Hello Kitty. Sabe, o pior nem é você ser mané... pior mesmo é quando você deixa de ser mané. Porque você acaba não topando mais essas pessoas e isso fode com a tua vida social, sabe?

Mas eu estava lá, e tudo precisava melhorar.
Maurinho não saía do meu lado, dando a entender que estava me pegando, mesmo sabendo que isso não tinha a ínfima possibilidade de acontecer. Sabe o cachorrinho que faz xixi no cantinho pra marcar território? Maurinho sempre teve essa mania feia de iludir todo mundo, vendendo umas verdades mentirosas. Acredita que 'o legal não é estar namorando e sim parecer que está namorando' e gente assim, tem aos montes. Ô, se tem. E eu sorria, e bebia uma coisa verde, e eu usava umas pulseirinhas em neon, e bebia uma coisa verde, e dançava ao som de umas músicas sem refrão, e bebia uma coisa verde, e estava começando a achar que aquilo tudo pelo menos me renderia um texto para o blog quando a pessoa mais inteligente da festa disse 'Aiii, vamos né, galera?' Uhuuuu, agora sim! Devo tudo pra essa pessoa, ela sabe o que diz.
No carro, aquele clima estranho. Maurinho, enquanto falava sobre os dois carros que tinha, da lancha do pai, das casas de praia e do sítio, me perguntava sobre tudo e aquilo estava parecendo uma entrevista, não uma conversa. Já estava com medo, achando que ele perguntaria o tamanho do meu O.B. quando ele soltou a pérola: 'mas você ganha quanto? Porque eu tô ganhando...' Pra quem não conhece, esse é o famoso Palhaço IBGE - ah, eu confesso que teria achado esse cara mais legal se ele tivesse perguntado sobre o meu O.B., entende? Porque aquela pergunta fez com que eu o achasse mais idiota do que de costume e fez com que eu tivesse dado minha noite como perdida.
'Meu querido, não costumo dizer o quanto eu ganho pra qualquer um' - parêntesis: homem é como tapete, de vez em quando temos que dar uma sacudida. Ele ficou muito sem graça (sim, mais ainda) e eu estava finalmente em frente à minha rua. 'Deixa eu te levar até sua casa? Está chovendo'. Eu pensei: 'Sim, agora que eu tô a cara da Elba Ramalho você pensa em me levar em casa? Não precisa'. 'Amanhã vou viajar a trabalho, mas posso te ligar?' - o circo, quando é bom, se apresenta em várias cidades. 'Huum... pode!'. 'Então tá, até amanhã!'.

Subi minha rua pensando que não se deve nunca, mas sob hipótese alguma, tentar salvar um sábado... e concluí que homem é realmente tudo palhaço. E palhaço que é palhaço não muda nunca, apenas troca de espetáculo, de cenário e de figurino. Deitei na minha cama, liguei a TV. Serginho, mas que saudade de você, colega!

Status do meu celular nesse momento: fora da área de serviço ou desligado.