
Quer coisa mais nonsense do que as pessoas tendo a obrigação de serem tomadas pelo espírito natalino?
Dezembro. Lá vai você comprar tralhas barulhentas pras crianças, perfume da Natura pra sua avó e algo melhorzinho pra sua mãe. Sem esquecer o esfoliante de canela da madrinha. É isso que você faz com o tão esperado fim de ano: passa os dias sob o ar-condicionado do shopping riscando nomes na listinha.
E ainda sai de lá com disposição pra ser natalinamente feliz nas 317 festinhas de confraternização. Seu nome está confirmado
Dezembro nos obriga a reencontrar tanta gente das antigas que fica impossível marcar com os amigos do dia-a-dia naquele boteco de sempre. Até porque eles também estão tentando cumprir a agenda de confraternizações. Ninguém está em casa, e o celular de sua melhor amiga não pega na ilhazinha em que ela foi passar o fim do ano se autoconhecendo entre os mosquitos. Ainda tem essa. Reflexões. É preciso fazer a famosa listinha de resoluções. Tá cumprindo a sua? Boa menina. Integrada ao grupo, com listinha de ano-novo e tudo.
No réveillon, a responsabilidade em ser feliz aumenta. Contagem regressiva pra palhaçada: champanhe no cabelo, bagos de uva entalados na garganta, aquela coisa toda. Ah, e os fogos de artifício. Fica todo mundo emocionado com o espetáculo de luz e cores. Esse ano foram 17 minutos de show. Que show, gente? Experimente ficar 17 minutos olhando nos olhos de alguém. Brilha muito mais.
Depois vem janeiro. Ninguém voltou pro corpo ainda. Fevereiro nem se fala: ziriguiduns e alalaôs ecoam até de sua gaveta de talheres.
Nada se compara ao prazer do meio do ano. Abril. Adoro abril. Julho, que lindo. Tá todo mundo
Mas em agosto, não. Eles estão no trabalho, nas locadoras, nas salas de espera, nos bares, sentados em mesinhas da Coca-Cola.
É a vida acontecendo novamente.
Feliz meio do ano-novo pra você.
Mais de Katiany Pinho no site JORNALIRISMO
